top of page
Buscar


Um segundo antes de sermos quem somos
Em um domingo abafado em Niterói. Desses em que o ar parece pesado, quase imóvel, como se o tempo tivesse decidido caminhar mais devagar. A família viajando, a casa estava silenciosa demais — um silêncio que não incomoda, mas também não acolhe completamente. Resolvi sair sem destino certo, apenas dirigir. Acabei parando na Praia de São Francisco. Estacionei o carro, desliguei o motor e, por alguns segundos, fiquei ali, imóvel, como se estivesse esperando alguma coisa acontece
Zé Maia
há 6 dias3 min de leitura


Quando o Edital exige Fé
Confesso aos queridos leitores que antecipo esta coluna por um motivo simples. Mais uma vez, deixo para depois aquela discussão que venho ensaiando sobre o possível fim do trabalho. A conjuntura, como sempre, resolveu pautar o cronista. E confesso um detalhe prático, quase administrativo. Sendo não religioso, começo a perceber que minhas chances de acessar recursos públicos para projetos culturais no estado do Rio de Janeiro se tornaram, no mínimo, teologicamente desafiadoras
Filinto Branco
9 de abr.3 min de leitura


Os desvios que redesenham destinos
Ao assistir à série Ripple, fui tomado por uma inquietação silenciosa. A ideia de que pequenos acontecimentos — quase insignificantes — podem se expandir como ondas invisíveis, alterando vidas inteiras, ficou ecoando em mim muito depois do fim de cada episódio. Não pelas grandes reviravoltas. Mas pelos detalhes. Foi então que essa imagem me fez parar. Um homem entra em uma sorveteria. Nada de extraordinário. Nenhum sinal de que aquele instante carregue algo maior. Apenas um p
Zé Maia
6 de abr.2 min de leitura


Entre o Instinto e o Algoritmo
Há um momento emblemático na história do cinema em 2001: Uma Odisseia no Espaço em que um gesto simples atravessa milênios. Um objeto lançado ao alto transforma-se, no corte seguinte, em tecnologia avançada. Não é apenas uma passagem de tempo. É a tradução visual de um salto cognitivo. Para evitar leituras distorcidas, imaginemos outra cena: um lobo, solitário, em uma paisagem ancestral, ergue um pedaço de madeira. Ele não compreende o mundo — mas começa a interagir com ele.
Zé Maia
31 de mar.2 min de leitura


E não é que o todo-poderoso delinquente está perdendo a guerra?
A maior potência militar do planeta, presidida por um criminoso de alta periculosidade, encarava a agressão ao Irã como um passeio no parque. Nos cálculos de Trump, o ataque era coisa para durar três ou quatro dias e logo o regime dos aiatolás desmoronaria, deixando ao seu alcance grandes reservas de petróleo. Inebriado pela investida contra a Venezuela, quando em poucas horas assassinou integrantes do corpo de segurança do presidente Maduro e o sequestrou junto com a primei
Bepe Damasco
27 de mar.2 min de leitura


Retomar a Petrobras para o Brasil
(…) “Lá, ela é um tsunami ; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha ” (…) [GN] – Presidente Lula, em outubro de 2008. Em outubro de 2008, o presidente Lula assim se referiu ao início da grande crise internacional, que havia começado nos mercados bancário e financeiro nos Estados Unidos e depois se espalharia para a Europa, afetando gravemente os principais países do globo. Naquele momento, é fato que o Brasil conseguiu se proteger razoavelmente bem dos efeitos negativos
Redação RT Notícia
17 de mar.6 min de leitura


Arte, memória e democracia no cinema brasileiro
Vemos os filmes através dos filtros que acumulamos ao longo da vida. São as leituras, as experiências, as memórias e as informações que, pouco a pouco, moldam a forma como interpretamos uma obra. Por isso, a arte nunca é percebida da mesma maneira por todos. Um filme pode tocar profundamente alguns espectadores e passar quase despercebido por outros. Pode fluir sem grandes preocupações estéticas e, ainda assim, permanecer vivo na memória muito depois de terminada a projeção.

Márcio Kerbel
15 de mar.2 min de leitura


A estratégia sofisticada da Globo para influir na eleição e ajudar Flávio Bolsonaro
Desta vez a Globo não precisa apoiar golpe de estado contra presidenta que não cometeu crime algum. Também não é necessário se dar ao trabalho de defender a prisão de um presidente, vítima de uma grande farsa judicial. Tampouco é o caso de promover outra campanha de criminalização explícita de um partido político, através do endeusamento de um juiz parcial e corrupto. Em 2026, a estratégia é outra. E é forçoso reconhecer que é bem mais sofisticada, embora tão sórdida quanto à
Bepe Damasco
9 de mar.3 min de leitura


Pesquisa eleitoral em clima de Carnaval vale tanto quanto uma nota de 3 reais
Não foi preciso recorrer a nenhuma bola de cristal para se prever o óbvio: depois do forte bombardeio midiático à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que ousou levar para a Marquês de Sapucaí a saga de um herói popular do Brasil, a aprovação ao governo Lula e a performance do presidente nas pesquisas para a eleição presidencial deste ano seriam abaladas logo nas primeiras pesquisas pós-carnavalescas. Alguns institutos de pesquisa, por motivos óbvios, não perderam tempo e c
Bepe Damasco
27 de fev.2 min de leitura


Falácias Lógicas: As Armas Ocultas das Campanhas Políticas
Campanhas políticas são, acima de tudo, batalhas narrativas. Elas constroem argumentos formados por premissas e conclusões, com o único objetivo de conquistar a mente e o coração do eleitor. No entanto, como bem ensina o estudo das falácias lógicas, nem todo discurso que soa convincente resiste a um escrutínio racional. Muitos argumentos políticos são fachadas persuasivas, construídas sobre erros lógicos deliberados. A conexão entre falácias e eleições é inegável e direta. Ve
Zé Maia
14 de fev.2 min de leitura


Portugal, Chega (Mas Não Tanto)
Eu ia continuar a minha série sobre o fim do trabalho, esse tema futurista em que o capitalismo nos substitui por máquinas com mais entusiasmo do que qualquer departamento de recursos humanos. Mas a vida tem um vício antigo: interromper a filosofia com a conjuntura. E desta vez quem me puxou pela manga foi Portugal. Portugal acabou de passar por eleições e o PS venceu, e venceu por larga margem. António Seguro ficou com cerca de dois terços dos votos; Ventura, com perto de um
Filinto Branco
10 de fev.4 min de leitura


Quando o absurdo silencia as diferenças
Há acontecimentos tão graves que suspendem, ainda que por um instante, as divisões que costumam nos separar. O caso do cãozinho orelha — um animal real, indefeso, brutalmente assassinado por um grupo de jovens — produziu exatamente esse efeito raro. Pela primeira vez em muito tempo, não houve disputa de narrativas, apropriações ideológicas ou relativizações convenientes. Houve indignação comum. Direita e esquerda reagiram juntas. Religiosos e não religiosos falaram a mesma lí
Zé Maia
2 de fev.2 min de leitura


Cinema, Estado e soberania cultural
As quatro indicações ao Oscar de O Agente Secreto se, por um lado, nos enchem de orgulho, por outro expõem de forma clara a necessidade de se manter de pé a estrutura que possibilita o bom desempenho das produções nacionais no cenário internacional. São as políticas públicas de cultura que garantem incentivo e fomento à produção audiovisual no Brasil. A Lei do Audiovisual é um dos principais instrumentos nesse processo, ao criar mecanismos que tornam viáveis obras que, sem e

Márcio Kerbel
24 de jan.2 min de leitura


Quando a obrigação corrompe - Consciência, dever e o risco moral das grandes causas
Ao iniciar a leitura do livro do Graham Greene , “O Fator Humano”, na abertura o autor reproduz uma citação de Joseph Conrad. "Sei apenas que aquele que cria uma obrigação está perdido. O germe da corrupção entrou em sua alma." - Joseph Conrad Há uma ideia recorrente — e perigosamente sedutora — de que a criação de uma obrigação absoluta é, em si, um gesto moral elevado. Joseph Conrad, no entanto, caminha na direção oposta. Para ele, é justamente nesse ponto que a moral come
Zé Maia
15 de jan.2 min de leitura


"Tomara que você seja deportado": Quando o ódio vira frase comum
Uma sociedade distópica é uma forma de organização social em que as promessas de progresso, ordem ou segurança existem apenas na aparência, enquanto, na prática, predominam opressão, desigualdade, desumanização e perda de liberdades. Por Zé Maia Há frases que deveriam causar escândalo sempre. Não importa o contexto, a época ou o país. Frases que, ao serem ditas, deveriam imediatamente acionar um alarme moral coletivo. “Tomara que você seja deportado” deveria ser uma delas. O
Zé Maia
13 de jan.2 min de leitura


Quando o bullying vira política: a distopia americana em sala de aula
Há um momento específico em que uma sociedade revela que algo essencial se rompeu. Nem sempre é um decreto, uma eleição ou uma crise econômica. Às vezes, esse sinal surge no lugar mais sensível possível: o pátio de uma escola. Quando crianças passam a repetir frases como “tomara que você seja deportado”, não se trata mais apenas de provocação infantil. Trata-se da tradução crua de uma política de Estado que desceu ao nível da linguagem cotidiana. O novo bullying escolar nasce
Zé Maia
8 de jan.2 min de leitura


Retrospectiva 2025 - O Ano em que o Brasil Tropeçou, Resistiu e Insistiu
Eu ia, mais uma vez, escrever sobre o fim do trabalho. Juro que ia. Já estava em frente ao computador, preparado para discutir os algoritmos que escrevem relatórios, as máquinas que colhem soja e os robôs que finalmente aprenderam a fazer aquilo que parte do Congresso ainda não sabe: pensar. Mas lembrei-me de que, por tradição, no final de cada ano, eu e a Rede Globo (modéstia à parte ao me comparar com ela) fazemos a nossa retrospectiva do ano que se vai. Por isso, deixo par
Filinto Branco
30 de dez. de 20256 min de leitura


Da Segurança do Blockchain ao Poder Quântico: A Tecnologia que Pode Proteger ou Controlar Eleições
A história recente da tecnologia pode ser vista como uma sequência de avanços que nos trouxeram, passo a passo, para um novo tipo de sociedade: mais conectada, mais eficiente e, ao mesmo tempo, mais vulnerável. Tudo começa com o blockchain, passa pelo Machine Learning e o Deep Learning, evolui para a inteligência artificial moderna e agora aponta para um salto ainda maior com a computação quântica. Compreender essa trajetória é entender o que realmente está em jogo: não apena
Zé Maia
28 de dez. de 20252 min de leitura


Quando os “bancos de verdade” tremem diante das fintechs
O Banco Central decidiu que fintechs não poderão mais usar a palavra “banco” — nem seus equivalentes em outros idiomas — em seus nomes, caso não sejam instituições bancárias formais. Essa medida atinge diretamente empresas digitais que cresceram oferecendo tudo aquilo que os bancos tradicionais deixaram de oferecer: simplicidade, agilidade, menos burocracia e uma linguagem muito mais acessível. Oficialmente, a decisão é apresentada como uma ação de “proteção ao consumidor”, p
Zé Maia
2 de dez. de 20252 min de leitura


Entre Três Poderes e Nenhum Governo - Artigo de Filinto Branco
Eu ia continuar a série sobre o fim do trabalho — afinal, poucas coisas são tão fascinantes quanto observar o capitalismo nos substituir por máquinas com mais entusiasmo do que qualquer departamento de RH já demonstrou. Mas o Brasil, sempre atento para nos tirar do tema, resolveu lembrar que, antes de sermos trocados por robôs, ainda seremos triturados pelo Congresso. E, diante da semana que tivemos em Brasília, qualquer reflexão sobre o futuro pode esperar. Já o incêndio ins
Filinto Branco
30 de nov. de 20254 min de leitura
bottom of page


.png)