Nova fase da Carbono Oculto chega ao Banco Genial e a delator ligado ao Master
Operação Crédito Oculto investiga suspeita de lavagem de dinheiro na compra da distribuidora Terrana; buscas atingem Humberto Tupinambá e Antonio Carlos Freixo Júnior, empresário que também aparece nas investigações do Banco Master

A terceira fase da Operação Carbono Oculto colocou o mercado financeiro novamente no centro das investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis. Deflagrada nesta quinta-feira (24), a nova etapa, batizada de Operação Crédito Oculto, tem entre seus alvos o executivo do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e ligado às investigações sobre o Banco Master.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. As buscas foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e alcançam endereços em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
Também aparecem entre os alvos André e Bruno Tupinambá, irmãos de Humberto. As diligências atingem pessoas físicas e empresas investigadas por participação em uma estrutura financeira e societária que, segundo o Ministério Público, teria sido montada para ocultar os verdadeiros controladores da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
Investigação apura compra da Terrana
De acordo com a investigação, fundos de investimento, empresas e operações financeiras teriam sido utilizados para movimentar recursos e dificultar a identificação dos beneficiários finais envolvidos na aquisição da distribuidora.
Entre as estruturas analisadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings e Branson Holdings. Segundo o Ministério Público, algumas dessas companhias foram constituídas pouco antes da operação de compra da Terrana.
O Gaeco afirma que houve uma sobreposição de estruturas financeiras para esconder o controle tanto de uma empresa sucroalcooleira quanto, posteriormente, da distribuidora.
“Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa”, afirmou o Gaeco ao descrever o modelo investigado.
Segundo as investigações, uma das estruturas financeiras investigadas movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O Ministério Público considera que o volume das operações, analisado em conjunto com outros elementos, apresenta indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de dinheiro.
Em uma das etapas da movimentação investigada, mais de R$ 120 milhões teriam passado por empresas e contas intermediárias antes de chegar à estrutura responsável pela aquisição da Terrana. Outro ponto da investigação envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios ligados a uma usina sucroalcooleira.
Os investigadores utilizam relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, dados sobre movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos nas fases anteriores da Carbono Oculto.
Ligação com o caso Banco Master
A presença de Antonio Carlos Freixo Júnior entre os alvos chama atenção porque o empresário também aparece em outra investigação de grande repercussão: o caso Banco Master.
Freixo, dono da Entre Investimentos, firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações envolvendo o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro.
Segundo informações já reveladas pelas investigações e pela imprensa, Freixo teria atuado em operações financeiras solicitadas por Vorcaro. Em sua colaboração, ele relatou a realização de sete remessas para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que somaram cerca de US$ 12,3 milhões em 2025.
O fundo aparece nas apurações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa ligação, no entanto, pertence a outra frente investigativa. A Operação Crédito Oculto deflagrada nesta quinta-feira tem como foco imediato as operações financeiras relacionadas ao setor de combustíveis e à aquisição da Terrana.
Suspeita de organização criminosa
O Ministério Público aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de Primo, como supostos líderes da organização investigada. Os dois não aparecem entre os alvos das buscas realizadas nesta fase.
Segundo a investigação, as estruturas financeiras seriam utilizadas para circulação e fragmentação dos recursos, além da ocultação de seus beneficiários finais.
Até a manhã desta quinta-feira, não havia manifestação divulgada das defesas dos principais alvos sobre as novas buscas.




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