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Cinema, Estado e soberania cultural



As quatro indicações ao Oscar de O Agente Secreto se, por um lado, nos enchem de orgulho, por outro expõem de forma clara a necessidade de se manter de pé a estrutura que possibilita o bom desempenho das produções nacionais no cenário internacional.


São as políticas públicas de cultura que garantem incentivo e fomento à produção audiovisual no Brasil. A Lei do Audiovisual é um dos principais instrumentos nesse processo, ao criar mecanismos que tornam viáveis obras que, sem esse tipo de apoio, dificilmente conseguiriam se sustentar em um mercado altamente concentrado e competitivo, dominado por grandes conglomerados globais.


Diante dos fatos, é preciso afirmar com objetividade: as redes de desinformação que disseminam a falsa ideia de que O Agente Secreto teria sido financiado pela Lei Rouanet não se sustentam. O filme não utilizou esse mecanismo. Sua viabilização ocorreu por meio de outros instrumentos de fomento e investimentos na indústria de modo geral, como acontece também em setores estratégicos da economia, a exemplo da indústria automobilística e da indústria de eletrônicos.


Esses propagadores de notícias falsas tentam construir uma narrativa distorcida, segundo a qual o uso de recursos públicos para o audiovisual seria algo ilegítimo ou excepcional. A história do cinema mundial demonstra exatamente o contrário. Não haveria a colossal indústria cinematográfica dos Estados Unidos sem os subsídios diretos e indiretos oferecidos pelo Estado ao longo do século 20, seja por meio de incentivos fiscais, encomendas governamentais, proteção de mercado ou parcerias com as Forças Armadas.


O mesmo ocorre em países como França, Reino Unido, Coreia do Sul, Canadá e Alemanha, que mantêm fundos públicos robustos, políticas de proteção ao conteúdo nacional e incentivos permanentes à produção audiovisual. O resultado é a consolidação de indústrias culturais fortes, capazes de gerar empregos, exportar conteúdo e projetar suas identidades para o mundo.


Após mais de 130 anos desde sua invenção, o cinema segue sendo uma poderosa máquina de circulação de ideias, valores, culturas e economias. Os países que compreendem seu valor estratégico sabem que, sem política pública consistente, não existe indústria cinematográfica sólida. O mercado, sozinho, não sustenta cinema em lugar nenhum.


Foto: Paulo Pinto/Agência BrasilAgência Brasil


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