Caso Master: agente da PF acusa Mendonça de tentar intimidar investigadores, diz revista
- Redação RTN
- há 51 minutos
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Fonte ouvida pela publicação afirma que atuação do ministro provocou desgaste com a Polícia Federal; crise envolvendo o caso Master chega ao STF e Fachin cobra explicações

A crise envolvendo as investigações sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo neste sábado (5). Um agente da Polícia Federal, ouvido sob anonimato pela Revista Fórum, acusou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar intimidar integrantes da corporação durante a condução das investigações e afirmou que o magistrado agora enfrenta dificuldades provocadas pela própria atuação no caso.
Segundo a publicação, o policial usou termos duros ao comentar o comportamento do ministro. A reportagem traz no próprio título a declaração atribuída ao agente: “Mendonça quis intimidar PF e agir como gangster, agora tem problemão”.
As declarações surgem em meio a um conflito institucional que se agravou nos últimos dias. Mendonça é relator de investigações relacionadas ao Banco Master e passou a ser questionado pela forma como determinou o aprofundamento de apurações que acabaram alcançando o ministro Alexandre de Moraes.
Relatório da PF aumenta pressão sobre Mendonça
O caso ganhou nova dimensão depois que vieram a público relatórios produzidos pela Polícia Federal sobre a condução das investigações. Um deles sustenta que Mendonça sabia que Alexandre de Moraes poderia ser alcançado pelas diligências relacionadas ao material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Moraes, por sua vez, encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, documentos nos quais aponta supostas irregularidades cometidas por Mendonça. Entre as possíveis condutas mencionadas estão abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O documento apresentado por Moraes, porém, também registra que parte das conclusões constitui uma “análise de cenário” e está “sem valor probatório”. Fachin determinou prazo de cinco dias para que André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre as acusações.
Encontro com Daniel Vorcaro entrou no centro da crise
Outro episódio que passou a integrar a controvérsia foi o encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro. O ministro confirmou ter recebido o então banqueiro uma vez, em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso Master. Segundo Mendonça, a reunião ocorreu por iniciativa do empresário e tratou de um processo envolvendo créditos de precatórios de interesse do banco.
Mendonça também confirmou posteriormente que Vorcaro prestou depoimento em seu gabinete já no contexto das investigações. O encontro teve a presença de representante do Ministério Público, mas não contou com integrantes da Polícia Federal.
Ao justificar o procedimento, o ministro afirmou que a ausência dos policiais ocorreu porque Vorcaro havia relatado intimidações.
“Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, afirmou Mendonça em nota divulgada por sua assessoria.
PGR questiona atuação do ministro
A Procuradoria-Geral da República também questionou a condução das investigações.
Paulo Gonet defendeu a nulidade da apuração que aprofundou as informações envolvendo Moraes. Segundo o procurador-geral, uma investigação direcionada contra um ministro do Supremo precisaria passar pelo presidente da Corte e pelo plenário.
“A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual”, afirmou Gonet.
O embate colocou no centro da discussão os limites da atuação de um ministro do STF na supervisão de investigações policiais.
Fachin tenta conduzir crise para o plenário
Diante do confronto entre integrantes da própria Corte, Edson Fachin passou a centralizar a análise das acusações. O presidente do Supremo determinou que documentos relacionados às denúncias contra Mendonça sejam analisados separadamente do inquérito das fake news e indicou que questões relacionadas à validade das investigações poderão ser submetidas ao plenário.
Fachin ressaltou que as medidas tomadas até agora não significam julgamento antecipado sobre as acusações.
“As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações”, escreveu.
A declaração do agente federal publicada pela Revista Fórum acrescenta um novo componente à crise: o desgaste entre o gabinete do relator e integrantes da Polícia Federal. As acusações feitas pela fonte ainda não representam uma conclusão oficial da corporação nem uma comprovação de irregularidade por parte do ministro.
O desfecho dependerá agora das manifestações de Mendonça, da PGR e das decisões que serão tomadas pela presidência e, eventualmente, pelo plenário do Supremo.




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