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PF investiga R$ 645 mil enviados por Mário Frias à produtora de “Dark Horse”

há 2 minutos
3 min de leitura

Operação autorizada por Flávio Dino apura movimentações financeiras envolvendo emendas parlamentares e empresas ligadas à produtora do filme sobre Bolsonaro

Mário Frias é alvo de operação da Polícia Federal. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Mário Frias é alvo de operação da Polícia Federal. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A investigação da Polícia Federal sobre possíveis desvios de recursos de emendas parlamentares ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (10). Documento que embasou uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.


Segundo a investigação, as transferências feitas por Frias ocorreram entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. A PF questiona a origem dos recursos diante da renda mensal do parlamentar, informada no documento como pouco mais de R$ 44 mil. Frias também é produtor-executivo e roteirista do filme.


A apuração envolve emendas parlamentares destinadas a organizações presididas por Karina Gama, proprietária da Go Up. De acordo com a investigação, Frias teria direcionado verbas federais ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC). A PF investiga suspeitas de irregularidades na execução dos projetos financiados com esses recursos.


Rastro financeiro chega à produtora


Um dos caminhos investigados passa por empresas que receberam recursos do ICB. Segundo documentos citados pelo ICL, duas empresas ligadas ao empresário Heric Dias receberam aproximadamente R$ 700 mil do instituto. Posteriormente, outra empresa relacionada a ele, a NTT Brasil, transferiu R$ 750 mil para a Go Up.


A PF, porém, faz uma ressalva: os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos à produtora sejam exatamente os mesmos recursos provenientes do ICB. A proximidade dos valores e a sequência das movimentações levaram os investigadores a aprofundar essa linha de apuração.


A análise das contas da Go Up também identificou movimentação de R$ 19,03 milhões em 51 dias, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Esse montante representa o volume total movimentado pela empresa no período e não significa que todo o dinheiro tenha origem pública ou seja considerado irregular. Entre os remetentes identificados aparece o próprio Mário Frias, com R$ 645,4 mil.


Compra de carro em dinheiro vivo


Outro elemento citado na decisão de Dino envolve a compra, por Karina Gama, de um BYD Song Plus híbrido. Segundo informação comunicada aos investigadores, o veículo, no valor de R$ 102.190, foi adquirido em janeiro de 2025 e pago integralmente em espécie. O fato passou a integrar os elementos analisados na investigação.


Karina foi alvo da operação da PF e teve o celular apreendido. A Folha informou que não conseguiu localizá-la para comentar o caso.


Dino impede Frias de deixar o Brasil


Além de autorizar as buscas, Flávio Dino proibiu Mário Frias de sair do país. Na decisão, o ministro afirmou que o deputado retardou o fornecimento de informações por estar em viagem internacional.


Dino escreveu que o cenário nacional deu exemplos recentes de que a “evasão internacional” tem sido cogitada por parlamentares diante da perspectiva de persecução penal.


Frias nega irregularidades


Mário Frias reagiu à operação e classificou a ação como uma “cortina de fumaça” em ano eleitoral. O parlamentar afirmou que eventuais questionamentos sobre documentos e prestação de contas poderiam ser esclarecidos sem uma operação policial.


Frias também argumentou que a emenda parlamentar não passa diretamente pelas mãos do deputado, mas segue do Tesouro para o órgão responsável por aprovar o plano de trabalho e fiscalizar a prestação de contas. Disse ainda que entregará os documentos solicitados e colaborará com a investigação.


A investigação apura suspeitas de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a licitações. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.


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