O passo a passo da adesão da Globo ao candidato do fascismo

1- Antes de mais nada, é preciso entender que as Organizações Globo são porta-vozes do setor mais predatório do capitalismo, o financeiro. A defesa obsessiva que faz de um ajuste fiscal baseado no corte dos gastos sociais e na penalização dos mais pobres é a reverberação em estado bruto dos interesses da Faria Lima.
2- Quando Flávio Bolsonaro foi flagrado em áudio pedindo dinheiro para o banqueiro criminoso Daniel Vorcaro e Lula abriu vantagem nas pesquisas, projetando até uma vitória em primeiro turno, a Globo e suas irmãs siamesas na mídia corporativa levaram, na certa, uma reprimenda dos sanguessugas do mercado: “Alto lá, tudo menos Lula. Para controlar outra vez o orçamento da República, toleramos até mesmo um governo fascista, mas Lula não.”
3- Como não tem vergonha na cara, mesmo depois das inúmeras agressões sofridas no governo Bolsonaro, nem qualquer compromisso com o país, a Globo arregaçou as mangas e foi à luta. Logo trouxe para o centro da disputa eleitoral Fábio Luis da Silva, que nunca fora conhecido por Lulinha, mas passou a ser para facilitar o vínculo com seu pai.
4) Mesmo com o sigilo bancário de Fábio quebrado e sem nada concreto contra ele, bombardearam a sociedade por pelo menos dois meses consecutivos com todo tipo de ilação e suposição para incriminar o filho do presidente. A orquestração dos veículos de comunicação foi tamanha que os jornalões estamparam manchetes rigorosamente idênticas sobre as investigações envolvendo Fábio.
5) Para encorpar a onda, contaram com a ajuda amiga de institutos de pesquisas eleitorais, que passaram a incluir nos seus questionários a seguinte pergunta oportunista: “Você acha que as acusações contra o Lulinha prejudicam a candidatura de Lula?” É óbvio que a grande maioria responderia que sim, Daí para as chamadas da GloboNews foi um pulo: “70% dizem que caso Lulinha afeta Lula..” Ah, não podemos esquecer a exploração rasteira do “caso Lulinha” na sabatina do presidente Lula no Jornal Nacional.
6) Cabe destacar o papel da pesquisa financiada pelo banco de investimento Genial, integrante da Faria Lima, e feita pelo instituto de pesquisas Quaest, nessa história. Suas pesquisas valem menos pelos resultados do que pelo roteiro montado pela Globo. Assim que seus números são divulgados, Felipe Nunes, o dono da Quest, acampa nos estúdios da Globo News para, durante toda a programação, explorar junto com os âncoras e comentaristas da emissora todos os vieses negativos para a candidatura de Lula. Pouco importa se dias depois o Datafolha e o MDA mostrem resultados diferentes, mais positivos para Lula.
7) Como o espancamento de Fábio Luis não deu certo, a Globo providenciou rapidamente outro fantasma para tentar assombrar a candidatura de Lula. Repetem, então, sem nenhuma base científica, o mantra segundo o qual todas as acusações contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, atingem diretamente a candidatura de Lula.
8) Repare que a Globo nunca foi capaz de publicar ou levar ao ar uma miserável matéria informando ao distinto público que o Master nasceu, cresceu e se consolidou no governo Bolsonaro, que ou fez vistas grossas para suas ações delinquentes ou se locupletou delas. Também de forma proposital omite dois fatos cruciais: o Master foi liquidado pelo Banco Central no governo Lula e a prisão de Vorcaro é obra da Polícia Federal da gestão de Lula. E faz pior: violando premissas jornalísticas básicas, exibe um PowerPoint fraudulento sobre o escândalo Vorcaro/Master, colocando Lula no centro da trama. A forte reação obrigou a apresentadora Andrea Sadi a um envergonhado e insuficiente pedido de desculpas.
9) Para a Globo, o único problema real do STF é o ministro Alexandre de Moares. Tudo para atingir Lula. As notícias sobre a atuação parcial e as fortes suspeitas de falcatruas dos ministros bolsonaristas nunca viram manchete.
10) Recentemente a GloboNews, incomodada com a audiência da ótima jornalista Daniela Lima, em seu programa “Pulso Político”, no canal UOL, estreou uma atração semanal, estrelada pela âncora Andrea Sadi e por Felipe Nunes, da Quest, com o nome de “Voto”. Em pauta, pontos pinçados das pesquisas que possam desgastar Lula. Em uma eleição acirradíssima, que promete ser decidida voto a voto, lançar um programa como esse é mais uma entre tantas evidências de que a Globo escolheu Flávio Bolsonaro.
PS: Ressalve-se que alguns profissionais da Globo não rezam nessa cartilha, mantendo o senso crítico e um nível possível de independência jornalística que não ameace seus empregos. O problema é que sua quantidade cabe nos dedos de uma das mãos.




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