A eleição, a luta pela vida e a troca de guarda na esquerda

Nos regimes democráticos, em condições normais de temperatura e pressão, eleição se disputa, se ganha ou se perde. Os vencedores governam e os perdedores vão para oposição.
Com o advento e crescimento da extrema-direita no Brasil e no mundo, a coisa muda de figura. Lutar para que os fascistas não cheguem ao poder é, antes de tudo, um compromisso com a vida.
Por isso, mesmo gente como eu, com larga experiência em acompanhar e participar como cidadão e militante de disputas eleitorais, fica com o coração apertado e os nervos à flor da pele diante da divulgação de qualquer pesquisa,
Também a régua que usamos para monitorar as movimentações da campanha eleitoral é diferente. Há uma tensão permanente para saber se os representantes da necropolítica avançaram ou recuaram, se as forças democráticas erraram ou acertaram.
Pudera!
O Poder Executivo da República é a última cidadela de defesa da democracia no Brasil. A nova composição da Câmara e do Senado que emergiu das urnas em 4 de outubro e grande parte dos governadores eleitos nos dão a certeza de que anos desafiadores e de enormes dificuldades se avizinham.
Contudo, como não existe linha reta na política, eis que os jovens brasileiros brotam de todos os cantos e ocupam ruas, praças e avenidas de norte a sul, de leste a oeste.
Impulsionados pela gurizada, como dizem os gaúchos, muitos adultos despertam para a gravidade do momento, compreendem que está em jogo algo que vai muito além da eleição e se perfilam com os filhos, sobrinhos e netos, somando forças para salver a democracia e livrar o Brasil das trevas.
Fora das contas dos analistas políticos mais argutos, se levanta então o maior movimento antifascista da história do Brasil. Sem tirar nem pôr, é isso que está acontecendo nesta primavera.
Nervosismo inevitável à parte, até domingo à noite a parte do nosso país que vale a pena seguirá firme na disputa de cada voto, para que os direitos dos trabalhadores e aposentados continuem sendo respeitados; para que as ciências, as artes e a cultura não sejam perseguidas; para que a educação e a saúde não sucumbam ao mercado; para que os nossos biomas não sejam destruídos; para derrotar os racistas, homofóbicos e os que odeiam os pobres.
A curva de Lula é ascendente nas pesquisas na hora H da definição do voto.
Por isso, acho que venceremos.
Mas, como disse um amigo, pouco antes de eu escrever este artigo, já houve uma bem-vinda troca de guarda geracional no protagonismo da esquerda brasileira.
Esse é o grande saldo dessa eleição histórica.




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