Lula e Janones mobilizam Exército contra volta das bets
Presidente mobiliza apoiadores ao lado de André Janones, enquanto manifesto ultrapassa 1 milhão de assinaturas e STF discute proibição das apostas online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou nesta terça-feira (3) uma mobilização nacional contra a possível volta das plataformas de apostas online, conhecidas como bets. A iniciativa conta com a participação do deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do Exército de Lula, movimento digital que ganhou força durante as eleições presidenciais e reúne mais de 10 milhões de participantes.
A convocação acontece no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza uma audiência pública, conduzida pelo ministro Luiz Fux, para discutir a medida provisória do governo que proibiu a exploração de apostas de quota fixa no país.
Em mensagem divulgada no canal do Exército de Lula no WhatsApp, o presidente criticou as empresas de apostas e pediu que a população acompanhe a discussão no Supremo.
"Você sabe que eu sou contra as bets. Ela tem que fechar. Ela é um mal para esse país", declarou Lula, criticando os interesses econômicos envolvidos na manutenção das plataformas.
Janones mobiliza Exército de Lula contra as bets
A campanha marca a primeira grande mobilização do Exército de Lula após a vitória do presidente nas eleições de outubro. O grupo, organizado por André Janones durante o segundo turno, passa agora a atuar também em defesa de propostas do governo.
Nas redes sociais, Janones incentivou seus seguidores a utilizar a hashtag
#BetsNuncaMais e questionou a composição inicial da audiência convocada pelo ministro Luiz Fux.
Segundo o parlamentar, a participação de clubes de futebol, empresários e representantes das casas de apostas ganhou espaço, enquanto organizações da sociedade civil ficaram inicialmente sem representação adequada.
A pressão levou à ampliação da lista de participantes, com a inclusão de representantes do governo e de instituições públicas.
Janones também sinalizou que a mobilização digital deverá acompanhar as decisões do Congresso Nacional sobre temas de interesse popular.
Manifesto ultrapassa 1 milhão de assinaturas
A mobilização contra as bets ganhou outro reforço com um manifesto lançado pelo economista Eduardo Moreira, fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL).
O abaixo-assinado, apresentado na noite de segunda-feira (2), ultrapassou 1 milhão de assinaturas, segundo atualização publicada pelo ICL Notícias às 11h09 desta terça-feira (3).
O documento defende a manutenção da proibição das apostas online, o fim dos patrocínios de casas de apostas em clubes esportivos e transmissões, além da criação de políticas de atendimento às pessoas afetadas pela dependência dos jogos e pelo endividamento.
Eduardo Moreira afirma que a mobilização pretende reunir diferentes setores da sociedade, independentemente de filiação política, para pressionar as autoridades a manter a proibição.
STF discute futuro das plataformas
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux no âmbito de uma ação apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que questiona a constitucionalidade da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada pelo governo federal em 25 de setembro.
A medida proibiu a exploração das apostas de quota fixa e determinou o encerramento das autorizações concedidas às empresas do setor.
Representantes das casas de apostas e de clubes de futebol argumentam contra a proibição. Já o governo sustenta que a atividade provoca prejuízos sociais, favorece o endividamento e compromete a renda das famílias.
A audiência não representa uma decisão definitiva do STF. Seu objetivo é reunir informações e argumentos para subsidiar o julgamento.
Paralelamente, a medida provisória precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para continuar produzindo efeitos de forma permanente.
Disputa chega às redes e ao Congresso
A campanha contra as bets também representa um novo teste para a força de mobilização digital construída durante a eleição presidencial.
Com o apoio de Lula e a articulação de Janones, o Exército de Lula busca transformar sua presença nas redes em participação nas discussões sobre políticas públicas.
O resultado dependerá tanto da análise jurídica do Supremo quanto da tramitação da medida provisória no Congresso, onde interesses econômicos e preocupações sociais disputam espaço.
A discussão envolve o futuro de um mercado bilionário, mas também os efeitos das apostas sobre o orçamento doméstico, a saúde mental e a qualidade de vida de milhões de brasileiros.




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