Flávio Bolsonaro é investigado pela PF no caso do filme “Dark Horse”
Inquérito autorizado por André Mendonça apura participação do senador na busca de recursos para produção sobre Jair Bolsonaro; investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é formalmente investigado pela Polícia Federal em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da PF e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A apuração investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas à captação e à movimentação de recursos destinados ao longa-metragem. A abertura do inquérito não significa que os investigados tenham cometido os crimes, mas permite à PF aprofundar os indícios encontrados.
O nome de Flávio Bolsonaro aparece nas investigações a partir de informações obtidas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a PF, foram encontrados registros de mensagens, ligações e encontros relacionados às negociações para financiar o filme.
Os investigadores apontam que os contatos relacionados ao projeto remontam a dezembro de 2024. Em janeiro de 2025 surgem cobranças pelo primeiro aporte e, a partir de agosto daquele ano, segundo a investigação, a comunicação sobre o financiamento passa a ocorrer diretamente entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
A PF também identificou movimentações internacionais relacionadas ao financiamento. Segundo os investigadores, US$ 12,33 milhões foram enviados pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, ao longo de 2025. Um contrato localizado nas comunicações de Vorcaro previa investimento total de US$ 24 milhões no filme.
PGR viu elementos para aprofundar investigação
O pedido da Polícia Federal para a abertura do inquérito foi apresentado ao Supremo em 8 de julho. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente à investigação em 21 de julho.
Segundo o ICL, Gonet apontou a existência de “indícios consistentes” e considerou necessário aprofundar as suspeitas envolvendo possíveis crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. No dia seguinte ao parecer, Mendonça autorizou a investigação.
A PGR também pediu que fossem verificadas propostas legislativas apresentadas ou apoiadas por Flávio Bolsonaro que pudessem ter interesse para o Banco Master, empresas relacionadas à instituição ou Daniel Vorcaro.
Inquérito sobre “Dark Horse” continua sob sigilo
A existência da investigação tornou-se pública depois que André Mendonça retirou o sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master, atendendo a uma solicitação do presidente do STF, Edson Fachin.
O inquérito específico sobre “Dark Horse”, entretanto, permanece sob sigilo. Segundo o UOL, Mendonça manteve reservadas as peças relacionadas ao filme por considerar que o procedimento ainda está em fase preparatória para eventuais diligências.Também aparecem como investigados nesse inquérito o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Procurado pela Folha na manhã desta sexta-feira (11), Flávio Bolsonaro não havia respondido até a publicação da reportagem. Em manifestações anteriores, o senador negou irregularidades relacionadas ao caso e afirmou que o filme é financiado com recursos privados.




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