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Flávio Bolsonaro participou de festa em lancha com lobistas, garotas de programa e ganhou Rolex, revela piauí

há 9 horas
3 min de leitura

Reportagem aponta que o candidato à Presidência foi beneficiado por empresários interessados em vender vacinas ao governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19

Flávio Bolsonaro é citado em reportagem da piauí sobre festa com lobistas durante a pandemia.
Flávio Bolsonaro é citado em reportagem da piauí sobre festa com lobistas durante a pandemia.

Uma investigação publicada pela revista piauí nesta quarta-feira (21) revela que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou de uma festa em uma lancha, no Lago Paranoá, em Brasília, acompanhado de lobistas e garotas de programa, em julho de 2020, durante um dos períodos mais graves da pandemia de Covid-19. Segundo a publicação, o parlamentar também recebeu um relógio Rolex de um empresário interessado em negociar vacinas com o governo federal.


A reportagem, assinada pelos jornalistas João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires, reconstrói o encontro a partir de depoimentos, documentos obtidos por comissões parlamentares de inquérito e registros de voos.


Na época, o Brasil registrava mais de mil mortes por Covid-19 diariamente. Enquanto hospitais enfrentavam a crise sanitária, empresários ligados à Precisa Medicamentos buscavam ampliar sua influência junto ao governo de Jair Bolsonaro.


Festa teve garotas de programa trazidas de São Paulo


Segundo a revista, o encontro aconteceu em 17 de julho de 2020 e foi organizado para agradar Flávio Bolsonaro. A iniciativa partiu de Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, empresários ligados à Precisa Medicamentos, que tentava negociar a vacina indiana Covaxin com o Ministério da Saúde.


Os organizadores contrataram o empresário Raphael Barão, proprietário da Barão Turismo, para preparar o evento. Três garotas de programa foram transportadas de São Paulo para Brasília em um jatinho particular.


Na lancha estavam Flávio Bolsonaro, seu amigo e então sócio Alexandre Santini, Danilo Trento, as três mulheres e o condutor da embarcação.


De acordo com uma testemunha ouvida pela piauí, Flávio Bolsonaro entrou na cabine da lancha acompanhado de mulheres que participavam do encontro.


A confraternização começou pela manhã e terminou por volta das 15 horas.


Rolex foi entregue ao senador após o passeio


Um dos episódios mais relevantes da investigação aconteceu no encerramento da festa.

Segundo a revista, Danilo Trento retirou um relógio Rolex do próprio pulso e o entregou de presente a Flávio Bolsonaro.


O senador teria deixado o local usando o relógio.


O empresário tinha interesse direto em negócios com o governo federal, especialmente nas negociações envolvendo a vacina Covaxin.


A revelação levanta questionamentos sobre a relação entre o parlamentar e representantes de empresas que buscavam contratos públicos.


A reportagem não demonstra, porém, que o presente tenha resultado em uma contrapartida específica do senador.


Empresários estavam envolvidos no caso Covaxin


A Precisa Medicamentos tornou-se um dos principais alvos da CPI da Pandemia, instalada em 2021 para investigar a atuação do governo federal durante a crise sanitária. A empresa intermediou negociações para a compra da vacina Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

O contrato previa o pagamento de aproximadamente R$ 80 por dose, valor superior aos preços de outras vacinas negociadas na época, segundo a piauí. As negociações foram cercadas de suspeitas de irregularidades e acabaram interrompidas antes que o governo federal realizasse qualquer pagamento.


Durante os trabalhos da CPI, Flávio Bolsonaro defendeu publicamente representantes da Precisa Medicamentos e questionou as acusações de corrupção. O relatório final da comissão recomendou o indiciamento de Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano, entre outros investigados. A recomendação de indiciamento não equivale a uma condenação judicial.


Flávio também abriu portas no BNDES


A investigação revela outro episódio envolvendo a proximidade entre o senador e os empresários. Em outubro de 2020, três meses depois do passeio de lancha, Flávio Bolsonaro participou de uma reunião virtual entre Francisco Maximiano e o então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.


O objetivo era discutir possibilidades de financiamento para um empreendimento do empresário no setor de telecomunicações. Na ocasião, Flávio reconheceu ter solicitado que o BNDES ouvisse a proposta, mas negou qualquer relação comercial ou financeira com Maximiano. O banco informou que nenhum financiamento foi contratado.


Revelações chegam na reta final da eleição


A publicação da investigação acontece a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro. As revelações colocam novamente em discussão a relação entre integrantes da família Bolsonaro e empresários interessados em negócios com o poder público.


O caso também resgata um dos períodos mais dramáticos da história recente do país. Em julho de 2020, o Brasil já contabilizava dezenas de milhares de mortes por Covid-19, enquanto o governo Jair Bolsonaro enfrentava críticas pela condução da pandemia.


A piauí afirma ter procurado Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e representantes de Francisco Maximiano para comentar as informações. Até o fechamento da reportagem, não havia recebido esclarecimentos sobre os principais episódios relatados.


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