Fisioterapia tem seu 1º Simpósio organizado pelo Getulinho

Exatamente na data em que acontece o Dia Nacional do Fisioterapeuta, no 13/10, o Hospital Getúlio Vargas Filho (Getulinho) realizou seu 1º Simpósio de Fisioterapia. A unidade, que é referência em pediatria no estado do Rio de Janeiro, reuniu seus profissionais e convidados para conversas variadas sobre essa especialidade e como ela dialoga com outras áreas no cotidiano do hospital.
Abrindo os trabalhos, a diretora médica Pamella Costa, saudou o evento: “é um marco para nossa instituição, uma atividade que pensamos com muito carinho, para podermos aprender e trocar juntos”, afirmou, complementando que eventos como esse acabam interferindo diretamente no melhor atendimento às crianças e adolescentes.
“Nosso papel é devolver o sonho que trouxeram para a gente, devolver como eram quando estavam em casa – ou seja, as crianças que se tornam nossos pacientes e suas expectativas de alta”, afirmou o responsável técnico em fisioterapia e idealizador do evento, Andrey Duarte.
A fala de Andrey indica a importância da equipe multiprofissional do hospital manter um bom diálogo com a família, realizando perguntas sobre como a criança se movimentava antes de vir ao hospital e o que ela gostava de fazer. É nesse diálogo e com o uso das melhores escolhas dos profissionais que é possível fazer adaptações de técnicas em saúde na busca pelo melhor atendimento possível. Afinal, com a alta do paciente, será a família que, preparada, seguirá o cuidado bem instruído, dando seguimento na atenção.
A jornada no hospital do paciente perpassa a segunda ordem: admissão e avaliação prévia, na realização de uma boa anamnese; a UTIP (Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica) e buscas por estabilização; a possível internação e sua recuperação (já na preocupação em desintubar o mais breve possível); e a alta e continuidade do cuidado – em que entra a parceria com instituições conveniadas como a Associação Fluminense de Reabilitação (AFR).
Trazendo uma experiência pessoal, Andrey relatou que já teve que jogar UNO com um paciente para fazer ele aceitar passar por um dos tratamentos. Esse jogo de cintura é algo que ele inspira os demais profissionais fazerem. “É preciso entrar no mundo da criança”, estimulou.
Em situações mais críticas, Andrey afirmou que é sempre bom trabalhar com metas e que as crianças devem passar com avalições respiratórias e suporte ventilatórios. Além disso, os profissionais devem estar em vigilância quanto as respostas das intervenções. Deve-se ficar de olho naqueles pacientes que tiverem sarcopenia, perda de músculo, bem como outras alterações físicas, cognitivas, emocionais e sociais.
Na extubação, etapa de recuperação do paciente (com avaliações constante à beira leito), as atenções se voltam para a proteção da via área em seus atos de deglutição, tosse e movimento da língua. Da respiração em tubo, passa-se para o uso do VNI ou o CNAF - estratégias menos invasivas.
Médica da casa, Tamele Sales, tratou a sedoanalgesia e do delirium na pediatria. Sabendo que é um direito humano o tratamento da dor, a dosagem da analsedação (o nome que deveria ser o utilizado, segundo ela – pois coloca a atenção à dor em 1º plano).
Tamele lembra de importância da ventilação mecânica que não é invasiva, além da importância das técnicas em analgesia multimodal, que deslocam o protagonismo medicamentoso, como: psicologia, terapias integrativas, espiritualidade, opiodes e técnicas de reabilitação.
Tais procedimentos humanizam o cuidado, afastando ao excesso da intubação compulsória que muitas equipes de saúde acabam se fixando. Segundo ela, quanto mais tempo de intubação da criança, piores serão as sequelas. Por isso, ela é entusiasta da constante realização de Rounds com as equipes, o bom planejamento e as observações a beira leito.
A médica sinalizou que o Getulinho utiliza do RASS e COMFORT-B, duas das principais ferramentas utilizadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para monitorar os níveis de sedação, agitação e conforto dos pacientes. Além disso, o hospital utiliza de protocolos tecnicamente humanizados para melhor servir as crianças e adolescentes.
“O exemplo dos Doutores da Alegria também deve ser citado, bem como o papel da equipe de psicologia, que age semanalmente. Aqui no Getulinho é um espaço em que se prega a qualidade de vida aos pacientes”, elogiou.
Dando continuidade à mesa e mostrando que o Getulinho trabalhar a interdisciplinaridade, a convidada da vez foi a fonoaudiologia, Flavia Melo. Com o tema “Respirar e deglutinar”, a profissional descreveu os papéis da faringe e da laringe, que tangenciam anomalias como a apneia da respiração ao comer; a dificuldade de deglutir devido a reserva fisiológica diminuída; e sintomas como tosse, engasgo e fadiga.
Segundo ela, a linha de cuidado advoga o contato com a família para saber o hábito dos pacientes e os cuidados após a alta – formas de saber o grau de disfagia do paciente e impedir uma nova internação.
A linha de cuidado dessa especialidade – que dialoga diretamente com a fisioterapia – consiste nos seguintes elementos: estabilidade respiratória, prevenção de complicações pulmonares, rastreio de risco de disfagia e avaliação clínica.
“É necessário perseguir o cuidado integral, a segurança e o melhor desfecho para os pacientes”, afirmou Flavia.
Evento seguiu durante a tarde – À tarde, Vivian Padial iniciou seu palestra apresentando o trabalho da Pedagogia Hospitalar, uma parceria das secretarias de educação e de saúde de Niterói, que garante produção educativa para os pacientes no hospital. Ela trouxe o conceito de “brincar” para dialogar com o trabalho interdisciplinar realizado na fisioterapia. O “brincar” teria um fim em si mesmo dentro das particularidades do hospital. É um recurso pedagógico em que se fomenta a construção ativa do pensamento e da memória.
O trabalho mostra que a criança é sujeito da sua própria história, tem seu protagonismo e que deve ser suas escolhas respeitadas. A construção ativa do pensamento é um recurso pedagógico de rara estima.
Vivian citou dois livros usados no processo. “Eleição dos Bichos”, um debate sobre democracia e “O Menino com Flores no Cabelo” que foi exibido para um menino que estava passando processos de amputações – amenizando seu sofrimento.
Tais são os efeitos de se ter escola dentro de unidade de saúde: estimulo da interação, da curiosidade, da imaginação, da criatividade, mobilizando aspectos motores, cognitivos, sensórias, sociais, além do convívio com a diferença.
“O trabalho da nossa equipe expande as possibilidades de aprendizado e experiência em ambientes restritos”, finalizou Vivian.
Com o tema sobre o uso da ultrassonografia, a fisioterapeuta convidada Thainá Demier, começou sua fala emocionada por já ter trabalhado no Getulinho no passado.
“Como ondas sonoras que avaliam o corpo, a ultra realiza seus passos em emissão de ondas, reflexão dos ecos e formação de imagem”, explicou.
Tal método não é invasivo e não insere radiação no indivíduo.
O ultrassom cinesiológico utilizado pode averiguar a condição do paciente, mas não é possível diagnosticar, sendo ainda um papel do médico.
Já o USG Diafragmático analise espessura, mobilidade e amplitude, velocidade de contração e tempo respiratório. Se tais medidas forem bem utilizadas na emergência, não será necessário uma internação para a crianças que apresentarem complicações.
Por fim, Bianca Ribas, fisioterapeuta convidada trouxe o tema das medidas paliativas. São aquelas que surgem como estratégias quando o paciente não parece reagir em cura nas medidas de saúde até então adotadas.
Muitas vezes a doença cresce para além das estratégias de manter o paciente ativo e pensando na própria qualidade de vida do usuário, encerrar os métodos é uma forma menos invasiva e dolorosa para dar cabo a um caso já considerado irreversível.
Pensando na melhor comunicação, surge, portanto, o Planejamento Antecipado de Cuidados (PAC), um processo contínuo de diálogo e tomada de decisão compartilhada entre o paciente, seus familiares e a equipe multidisciplinar de saúde, com o objetivo de alinhar decisões que visem o melhor para o paciente e o progresso de sua doença.
Avaliação, criação de plano, e análise das escalas de dor do paciente (com mecanismos como EVN, EVA e Wong-Baker) é uma sequência recomendável.
“O princípio da beneficência sobre a maleficência promove o desvio da futilidade terapêutica em detrimento do conforto do paciente, o controle da dor e a possibilidade de interação familiar”, justificou Bianca.
Foto: Aline Ribeiro





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