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Falácias Lógicas: As Armas Ocultas das Campanhas Políticas


Campanhas políticas são, acima de tudo, batalhas narrativas. Elas constroem argumentos formados por premissas e conclusões, com o único objetivo de conquistar a mente e o coração do eleitor. No entanto, como bem ensina o estudo das falácias lógicas, nem todo discurso que soa convincente resiste a um escrutínio racional. Muitos argumentos políticos são fachadas persuasivas, construídas sobre erros lógicos deliberados.


A conexão entre falácias e eleições é inegável e direta. Veja por quê:


• Persuasão em massa exige emoção, não lógica rigorosa: Campanhas visam multidões, onde sentimentos falam mais alto que fatos.

• Falácias atuam como atalhos emocionais: Elas imitam raciocínio válido, mas apelam para instintos primitivos, economizando tempo e esforço cognitivo.


Nas urnas brasileiras e mundo afora, essas falácias florescem com maestria. Aqui vão os exemplos mais comuns:


• Ad hominem: Em vez de rebater ideias, ataca-se o caráter do oponente – “Ele é corrupto, logo suas propostas são ruins”.

• Apelo ao medo: Frases como “Se o outro ganhar, o país vai à ruína” semeiam pânico irracional.

• Falsa dicotomia: “Ou você está comigo, ou contra o Brasil” – ignora nuances e meio-termo.

• Ad populum (apelo à maioria): “Todo mundo já escolheu esse lado” – como se popularidade garantisse verdade.

• Ladeira escorregadia: “Aprovar isso hoje leva à ditadura amanhã”, sem evidências causais.


Nesse cenário, a lógica perde espaço para a retórica emocional. Slogans curtos e impactantes substituem debates profundos, transformando eleitores em plateia de um espetáculo.


Por Que as Falácias São Estratégicas?


Do ponto de vista dos marqueteiros políticos, falácias não são acidentes – são ferramentas afiadas:


• Simplificam o complexo: Temas como economia ou segurança viram pílulas fáceis de engolir.

• Reduzem tudo a slogans: Fáceis de repetir nas redes sociais e comícios.

• Ativam emoções potentes: Medo, orgulho identitário e senso de pertencimento unem torcidas.

• Fomentam polarização: Dividem o mundo em “nós” versus “eles”, eliminando diálogo.


O segredo do sucesso? Campanhas não precisam de argumentos válidos – basta que soem irrefutáveis. Assim, a falácia evolui de mero erro lógico para arma persuasiva, moldando eleições sem que muitos percebam.


Quando a Retórica Enfraquece a Democracia


O problema ultrapassa a disputa eleitoral. Quando a cultura política se acostuma a argumentos falaciosos, a própria qualidade institucional começa a se deteriorar. A esfera pública deixa de ser um espaço de confronto racional de ideias e passa a operar como uma arena de mobilização emocional.


Sem premissas sólidas, decisões públicas tornam-se frágeis. Sem debate honesto, políticas públicas nascem enviesadas. Sem lógica, resta apenas narrativa.


A democracia não depende apenas do voto; depende da capacidade coletiva de distinguir argumento de ataque pessoal, evidência de opinião, causalidade de coincidência.


Um eleitorado treinado para identificar falácias não apenas vota melhor — pressiona melhor, cobra melhor, decide melhor.


E isso muda tudo.


A Conclusão que Importa


Para o eleitor atento, a lição é clara: questione o brilho das palavras. Desconfie de atalhos emocionais. Exija premissas sólidas antes de aceitar conclusões grandiosas.


Porque quando a emoção substitui a lógica, a decisão deixa de ser escolha — passa a ser condução.


E democracias não morrem apenas por golpes abruptos.


Elas enfraquecem quando a falácia se torna hábito.

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