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Programa Recomeço completa um ano com 740 retornos assistidos e 485 encaminhamentos em Niterói

Política voltada à população em situação de rua reúne acolhimento, saúde, documentação, moradia e inserção no mercado de trabalho

Veículos do Programa Recomeço, em Niterói. Foto: Lucas Benevides
Veículos do Programa Recomeço, em Niterói. Foto: Lucas Benevides

O Programa Recomeço completou um ano de funcionamento em Niterói com ações voltadas ao atendimento e à reinserção social de pessoas em situação de rua. Segundo dados divulgados pela Prefeitura, 740 pessoas de outros municípios e estados retornaram às localidades de origem entre janeiro de 2025 e agosto de 2026 por meio do chamado recambiamento assistido.


O procedimento prevê a localização de familiares, contato com a rede de assistência social da cidade de destino e pagamento do transporte pelo município. De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária, aproximadamente 80% das pessoas em situação de rua atendidas em Niterói são originárias de outras cidades.

O secretário municipal de Assistência Social e Economia Solidária, Elton Teixeira, afirma que o retorno não ocorre apenas com o fornecimento de passagem.


“Não é simplesmente pegar a pessoa, colocar no ônibus e mandar embora. Existe um serviço de acompanhamento prévio e também um contato com a rede de proteção social no destino para que aquela pessoa de fato tenha uma segunda chance de reconstruir a vida no seu lugar de origem”, declarou.

Segundo o secretário, a estratégia do Recomeço envolve diferentes áreas da administração municipal.

“A gente criou o Programa Recomeço porque entende que a resposta do poder público tem que envolver assistência social, saúde, ordem pública, acesso à moradia, geração de emprego, trabalho e renda, educação e acesso à cidadania.”

830 ações de zeladoria social


Entre agosto de 2025 e agosto deste ano, equipes multidisciplinares realizaram 830 ações de zeladoria social em Niterói. Nesse período, houve 485 encaminhamentos para serviços de acolhimento institucional.


A abordagem social especializada funciona 24 horas por dia. As equipes percorrem diferentes regiões da cidade para identificar pessoas em situação de rua, oferecer acolhimento e realizar encaminhamentos para as redes de assistência social e saúde.

Um dos principais equipamentos utilizados nessa política é o Centro Integrado de Atendimento à Pessoa em Situação de Rua, inaugurado em agosto de 2025.


De acordo com a Prefeitura, o local contabilizou 120.677 atendimentos em seu primeiro ano. O número não representa a quantidade de indivíduos atendidos, mas a soma dos diferentes serviços prestados a cada usuário.


Entre eles estão Educação de Jovens e Adultos (EJA), oficinas profissionalizantes, encaminhamento para vagas de emprego, atendimento médico e psicológico, orientação jurídica e assistência a pessoas com transtornos mentais ou problemas relacionados ao uso de substâncias.

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O centro também oferece banho, lavagem de roupas e serviços destinados aos animais de estimação dos usuários. Na área de documentação, foram emitidas 3.227 certidões de nascimento e realizados 2.455 registros destinados à obtenção de documentos de identidade.


Mais de 500 vagas de acolhimento


Niterói dispõe atualmente de mais de 500 vagas de acolhimento, distribuídas entre abrigos e hotéis. Desse total, 148 estão em hotéis utilizados pelo município para essa finalidade.

O modelo existe desde 2020 e está passando por processo de renovação, com uma licitação em andamento. Os usuários hospedados nesses locais recebem acompanhamento de assistentes sociais, psicólogos e educadores ligados ao programa.


Moradia integra estratégia de reinserção


A política habitacional também passou a integrar o Recomeço. O município prevê implantar gradualmente 100 moradias seguindo o conceito de Housing First, modelo no qual o acesso à moradia permanente é utilizado como ponto inicial para a reconstrução da autonomia, associado ao acompanhamento socioassistencial.


As primeiras unidades foram disponibilizadas no empreendimento Jardim das Paineiras, do Minha Casa, Minha Vida, no Badu. Cerca de 30 pessoas em situação de vulnerabilidade deixaram os abrigos municipais para morar nesses imóveis, segundo a Prefeitura.


Uma delas é Aline Rocha Silva, de 40 anos. Após a morte da mãe, ela não conseguiu manter a casa onde vivia com a filha e passou a utilizar a rede municipal de acolhimento. Posteriormente, foi inscrita no Minha Casa, Minha Vida e conseguiu emprego como cuidadora de animais.


Hoje, mãe e filha vivem em um imóvel próprio.


“Eu tenho isso aqui como uma vitória. Não saio daqui por nada. É a minha casa. Minha filha tem o quarto dela, eu tenho o meu. A gente manda na nossa casa, faz as nossas escolhas”, afirmou Aline.


Ela também relata as dificuldades da transição entre o acolhimento institucional e a vida independente.

“Não é fácil sair do abrigo e voltar para a realidade, cuidar da própria vida, se organizar financeiramente. Mas a oportunidade existe. Para sair, tem que querer muito e, depois, tem que ter responsabilidade para manter.”

45 pessoas chegaram ao mercado de trabalho


A inserção profissional é outra frente do programa. Segundo o balanço municipal, 45 pessoas em situação de rua conseguiram entrar no mercado de trabalho durante o primeiro ano do Recomeço.


Os dados divulgados pela Prefeitura indicam que a estratégia adotada combina atendimento emergencial com documentação, saúde, qualificação profissional, emprego e acesso à moradia. O desafio, a partir do primeiro ano do programa, será acompanhar a permanência dessas pessoas fora das ruas e os resultados de longo prazo das diferentes formas de reinserção social.

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