Niterói mira novos contratos e empregos com retomada da indústria naval
Reunião entre Prefeitura, Petrobras, Transpetro e empresas do setor discutiu novos contratos, investimentos e recuperação dos empregos; segunda etapa da dragagem do Canal de São Lourenço integra estratégia

A retomada da indústria naval e offshore de Niterói foi tema de uma reunião realizada nesta segunda-feira (14), na sede da Petrobras, entre representantes da Prefeitura, das estatais e de empresas instaladas no município. O encontro discutiu as perspectivas de novos contratos, investimentos e geração de empregos na cadeia de petróleo e gás.
Participaram da reunião o prefeito Rodrigo Neves, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a diretora executiva de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Angélica Laureano, o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, além de representantes do cluster naval de Niterói.
Um dos principais pontos em discussão foi a retomada das encomendas da Petrobras e da Transpetro e a possibilidade de ampliar a participação dos estaleiros fluminenses nesses projetos.
Niterói concentra estaleiros, terminais, bases de apoio offshore, empresas de logística, fornecedores e prestadores de serviços ligados à economia do mar. A Prefeitura aposta também na segunda etapa da dragagem do Canal de São Lourenço para aumentar a capacidade operacional da região.
Dragagem é apontada como estratégica
A dragagem do Canal de São Lourenço recebeu, segundo a Prefeitura, cerca de R$ 162,5 milhões em recursos municipais. Com as intervenções já realizadas, o calado passou de aproximadamente sete para 11 metros, permitindo o acesso de embarcações de maior porte às áreas industriais e portuárias.
A expectativa do município é que a nova fase da dragagem, combinada com encomendas das estatais e recuperação da capacidade dos estaleiros, contribua para novos investimentos e empregos.
“Niterói tem uma vocação industrial histórica e uma posição estratégica para a indústria naval, de petróleo e gás. Esse cluster sofreu muito durante os anos de retração do setor”, afirmou Rodrigo Neves.
Segundo o prefeito, o município investiu em infraestrutura, qualificação profissional, pesquisa e inovação e adotou medidas para auxiliar empresas do setor.
“Agora queremos avançar junto com Petrobras, Transpetro e toda a cadeia produtiva para transformar essa retomada em novos contratos, investimentos e empregos para Niterói e para o Estado do Rio”, disse.
Petrobras defende aproveitamento da capacidade instalada
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a recuperação da indústria naval brasileira passa pelo aproveitamento da estrutura existente no país e pela competitividade dos estaleiros.
“A gente está trabalhando o máximo possível para viabilizar as instalações que já existem no Brasil, de forma competitiva. O conteúdo local é importante para viabilizar esse movimento”, declarou.
Magda também defendeu maior participação do Rio de Janeiro nas atividades do setor.
“O Rio de Janeiro precisa assumir o seu papel e receber mais projetos. Niterói tem uma posição privilegiada, próxima à Bacia de Santos”, acrescentou.
Região perdeu milhares de empregos
Rodrigo Neves afirmou que a crise enfrentada pelo setor naval teve forte impacto sobre o mercado de trabalho de Niterói e municípios vizinhos.
“O cluster naval e offshore de Niterói sofreu muito entre 2016 e 2023. Perdemos cerca de 20 mil empregos diretos e 100 mil empregos indiretos em Niterói, São Gonçalo e na região, mas esses empregos estão sendo retomados”, disse.
O prefeito defendeu ainda que empresas fluminenses tenham condições de competir por novos projetos.
“O Estado do Rio precisa competir em condições de igualdade com outros estados. Niterói fez a sua parte com a dragagem, o refinanciamento de dívidas e investimentos para fortalecer as empresas do setor. Precisamos estar mais perto da Petrobras e a Petrobras mais perto de Niterói”, afirmou.
Estaleiro Mauá amplia quadro de funcionários
A recuperação do Estaleiro Mauá foi apresentada durante o encontro como um dos sinais de retomada das atividades.
Segundo o CEO da empresa, Miro Arantes, o estaleiro mantinha entre 500 e 600 trabalhadores em 2024 e atualmente reúne cerca de 1.500 funcionários.
“A decisão da Petrobras e da Transpetro de investir em conteúdo local é uma decisão acertada, porque gera emprego e gera riqueza no país. Hoje estamos muito mais preparados”, afirmou.
Arantes acrescentou que parte importante da infraestrutura necessária para atender a novas encomendas já está instalada nos estaleiros.
Também participaram da reunião a vice-prefeita Isabel Swan e os secretários municipais Luiz Paulino Moreira Leite, Elisa Rasma e Cesar Barbiero, além de representantes de estaleiros instalados em Niterói.




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