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Niterói lança nova fase do Pacto Contra a Violência após queda de 80,7% nos roubos

Programa amplia ações de prevenção, inteligência e videomonitoramento, com prioridade para jovens vulneráveis, mulheres e territórios afetados pelo crime organizado


A Prefeitura de Niterói lançou a segunda fase do Pacto Niterói Contra a Violência, política municipal que reúne ações de prevenção social, inteligência, tecnologia e integração das forças de segurança. A nova etapa estabelece metas para reduzir roubos, furtos e mortes violentas, além de enfrentar o recrutamento de jovens pelo crime organizado e ampliar a proteção às mulheres.


O lançamento foi realizado nesta terça-feira (4), na Sala Nelson Pereira dos Santos, com a presença do prefeito Rodrigo Neves e do secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.


O novo ciclo do Pacto, previsto para o período de 2025 a 2030, está estruturado em cinco prioridades: governança territorial, recrutamento de jovens pelo crime organizado, violência contra as mulheres, violência no trânsito e roubos e furtos.


Segundo a Prefeitura, o programa passará das 18 iniciativas existentes em 2018 para 35 ações em 2026.


Niterói lança a segunda fase do Pacto Contra a Violência após registrar queda de 80,7% nos roubos e de 69,3% nas mortes violentas. Foto: Divulgação
Niterói lança a segunda fase do Pacto Contra a Violência após registrar queda de 80,7% nos roubos e de 69,3% nas mortes violentas. Foto: Divulgação

Roubos caíram 80,7% em Niterói


Durante o lançamento, a Prefeitura apresentou os resultados do primeiro ciclo do Pacto. A taxa de roubos caiu de 1.712,3 para 331,3 ocorrências por 100 mil habitantes, uma redução de 80,7%.


A taxa de mortes violentas passou de 35,8 para 11 por 100 mil habitantes, o que representa uma queda de 69,3%.


No mesmo período, segundo os dados divulgados pelo município, a cidade do Rio de Janeiro registrou redução de 49,6% nos roubos e de 25,9% nas mortes violentas.


O prefeito Rodrigo Neves afirmou que os resultados foram alcançados a partir da combinação entre repressão, prevenção social e integração institucional.


“Segurança pública é a mãe de todas as políticas, porque impacta diretamente o acesso à educação, à saúde, ao trabalho e à convivência nos espaços públicos. Em Niterói, não passamos a mão na cabeça de bandidos, mas sabemos que a repressão precisa caminhar junto com a prevenção social”, declarou.


O prefeito também anunciou a convocação de mais 90 guardas municipais e a antecipação de metas previstas para o setor.


“É com essa visão que lançamos o Pacto Niterói Contra a Violência 2, uma nova geração de programas que reúne prevenção, inteligência, tecnologia e integração das forças de segurança. Vamos antecipar metas, convocar mais 90 guardas municipais e fortalecer ainda mais a nossa estrutura de segurança”, acrescentou Rodrigo Neves.


Proteção de jovens e mulheres


Entre as novidades da segunda fase está o programa Cada Jovem Conta. A iniciativa pretende identificar adolescentes em situação de vulnerabilidade social para oferecer acompanhamento individual, mentoria e acesso a programas municipais de educação, cultura, esporte, qualificação profissional e inclusão social.


Outra ação anunciada é o programa Protetoras, que começará com um grupo de 25 mulheres especializadas no acompanhamento de casos considerados de maior risco envolvendo vítimas de violência.


A iniciativa será integrada a um sistema permanente de monitoramento dos casos de violência de gênero. A proposta é permitir uma atuação preventiva e articulada entre os diferentes serviços públicos.


O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, classificou a experiência de Niterói como uma referência para outras cidades brasileiras.


“Niterói é um exemplo para o Brasil e para o Estado do Rio de Janeiro. A cidade conseguiu reduzir os índices de criminalidade, principalmente os crimes violentos contra a vida e os crimes contra o patrimônio, por meio da integração entre as forças de segurança e a comunidade, além de um grande esforço de repressão e, sobretudo, de prevenção à violência”, afirmou.


Chico Lucas também declarou apoio do Governo Federal à nova etapa do programa.


Mais câmeras e integração das forças de segurança


A segunda fase prevê a expansão do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), o aumento do efetivo da Guarda Municipal e a ampliação do videomonitoramento e do programa ShotSpotter, utilizado para detectar disparos de armas de fogo.


O programa também terá ações específicas em territórios vulneráveis, reunindo presença das forças de segurança, qualificação urbana, fortalecimento dos serviços públicos e políticas sociais destinadas aos jovens e às famílias.


O secretário do Gabinete de Gestão Integrada Municipal, Felipe Ordacgy, afirmou que o programa busca enfrentar as causas da violência, para além do investimento em policiamento.


“O Pacto Niterói Contra a Violência é muito mais do que investir em policiamento ou apoiar financeiramente a estrutura policial. É atacar não as consequências do problema, mas as suas raízes”, disse.


Investimentos superam R$ 820 milhões


Criado em 2018, o Pacto Niterói Contra a Violência recebeu mais de R$ 820 milhões em investimentos municipais, de acordo com a Prefeitura.


Ao longo do primeiro ciclo, mais de 50 mil jovens participaram de iniciativas como Niterói Jovem EcoSocial, Aprendiz Musical, Escola da Paz e Poupança Escola.


A Guarda Municipal também ampliou seu efetivo, passando de 300 para 830 agentes. O Centro Integrado de Segurança Pública opera atualmente com cerca de 800 câmeras, das quais 120 são equipamentos inteligentes de cercamento eletrônico.


Essas câmeras permitem identificar veículos roubados, furtados, clonados ou relacionados a ocorrências criminosas.


O secretário municipal de Ordem Pública, Gilson Chagas, afirmou que a situação da segurança na cidade era mais grave em 2013 e que a integração entre as instituições foi decisiva para a mudança dos indicadores.


“Diante desse cenário desafiador, a Prefeitura decidiu assumir a responsabilidade de integrar o governo, a sociedade civil, as forças policiais, o Judiciário e o Ministério Público, com todos trabalhando na mesma direção para promover a segurança pública e criar um ambiente de paz”, declarou.


Segundo a coordenadora do Pacto, Graça Raphael, a nova fase representa o amadurecimento da política pública desenvolvida no município.


“Juntos, nós formulamos e transformamos a realidade em Niterói. E hoje, passados quase nove anos do Pacto, estamos celebrando a redução da violência”, afirmou.

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