Lula defende cultura como política permanente de Estado em ato no Rio
Em encontro com artistas no Rio, presidente defendeu continuidade das políticas culturais entre diferentes governos e relacionou cultura, diversidade e democracia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que as políticas públicas de cultura tenham maior proteção institucional para evitar mudanças bruscas a cada troca de governo. A declaração foi feita nesta quarta-feira (23), durante encontro com artistas e representantes do setor cultural na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio de Janeiro.
Durante o ato, Lula sugeriu a discussão de uma emenda constitucional que estabeleça a cultura como uma política permanente de Estado. Segundo o presidente, a intenção seria criar mecanismos que dificultem a interrupção de programas e estruturas públicas destinadas ao setor conforme as mudanças no comando do Executivo.
“A gente tem que saber como pode fazer uma emenda constitucional para que a gente pegue a centralidade da Cultura e transforme em uma cláusula pétrea, que não pode mexer e mudar a cada governo”, afirmou Lula.
O presidente também voltou a relacionar a política cultural à defesa da democracia e afirmou que a produção artística tem papel no enfrentamento ao que classificou como “obscurantismo”. A expressão foi utilizada por Lula ao defender a liberdade de criação e a manutenção de políticas públicas para diferentes manifestações culturais.
O discurso retomou ainda a ideia de que a identidade brasileira é formada pela diversidade de povos, tradições, linguagens e manifestações culturais. Nesse contexto, Lula defendeu que as políticas públicas considerem tanto as expressões culturais consolidadas quanto iniciativas desenvolvidas em comunidades, periferias e diferentes regiões do país.
Em maio deste ano, o governo federal anunciou medidas voltadas às culturas tradicionais e populares, com ações destinadas a mestres, mestras, festejos e manifestações culturais transmitidas entre gerações.
O encontro no Rio ocorreu em meio à campanha presidencial de 2026. Lula é candidato à reeleição e tem buscado ampliar a mobilização entre diferentes segmentos sociais nas semanas que antecedem o primeiro turno. O evento reuniu nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Daniela Mercury, Zeca Pagodinho, Marieta Severo, Malu Mader, Lenine, Chico César e Fernanda Abreu, além de representantes políticos e do setor cultural.
Ao falar sobre o tema, Lula argumentou que a cultura deve ser tratada não apenas como manifestação artística, mas também como parte da identidade nacional e das políticas de desenvolvimento. A proposta apresentada no encontro, no entanto, ainda depende de definição jurídica e política sobre como uma eventual mudança constitucional seria formulada e submetida ao Congresso Nacional.
A defesa de maior estabilidade para as políticas culturais passa, portanto, a integrar o debate eleitoral. A discussão envolve questões como financiamento público, acesso à produção cultural, preservação do patrimônio, diversidade das manifestações artísticas e continuidade dos programas independentemente de quem ocupe a Presidência da República.




.png)
Comentários