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Israel vai às urnas em eleição liderada por opositores ao Estado palestino de diferentes partidos e campos políticos

há 3 horas
4 min de leitura

Israel realiza eleições parlamentares nesta terça-feira (27) em uma disputa que coloca frente a frente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, responsável pelo genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza, e Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas do governo Netanyahu. Ambos rejeitam a criação de um Estado palestino independente e defendem a manutenção do controle israelense sobre os territórios ocupados.


A votação é a primeira desde outubro de 2023, quando ataques do Hamas contra Israel foram seguidos pela invasão israelense, que devastou Gaza e matou mais de 74 mil palestinos. As urnas serão fechadas às 22h no horário local (17h em Brasília), quando serão divulgadas as primeiras pesquisas de boca de urna. O conflito também se estendeu a outros países do Oriente Médio, com operações militares israelenses no Líbano, na Síria, no Irã e no Iêmen.


Os eleitores escolherão os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento israelense. Para formar governo, um partido ou coalizão precisa reunir o apoio de pelo menos 61 deputados. As pesquisas divulgadas às vésperas da votação apontam uma disputa apertada, sem maioria garantida para nenhum dos blocos.


Levantamento do instituto Midgam, divulgado pelo Canal 12 na sexta-feira (23), projetou 23 cadeiras para o Yashar, partido de Eisenkot, e 21 para o Likud, de Netanyahu. A aliança Together, formada pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, apareceu com 15 cadeiras, seguida pelos Democratas, com dez, e pela Lista Conjunta, que reúne partidos de representação palestina e da esquerda judaico-árabe, com nove.


Os partidos aliados de Netanyahu somavam 50 cadeiras, enquanto as legendas do principal bloco de oposição alcançavam 56. Outras 14 vagas eram projetadas para as duas listas de representação palestina, cuja participação em uma eventual coalizão enfrenta resistência dos principais candidatos.


Outros nomes importantes da oposição também não representam necessariamente uma ruptura com a ocupação. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, da aliança Together, opõe-se à criação de um Estado palestino e defende a manutenção dos assentamentos. Seu aliado Yair Lapid já manifestou apoio à solução de dois Estados, mas a proposta não constitui uma prioridade comum do bloco.


Já o ex-general Yair Golan, líder dos Democratas, partido de centro-esquerda sionista, defende a possibilidade de um Estado palestino desmilitarizado como parte de um acordo regional futuro. Seu partido, no entanto, também sustenta a continuidade do controle israelense de segurança.


Dois candidatos contrários ao Estado palestino

Aos 77 anos, Netanyahu tenta prolongar sua permanência no poder à frente de uma coalizão formada por partidos da direita nacionalista, da extrema direita e de setores religiosos ultraortodoxos. Seu governo promoveu a ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e manteve os ataques contra Gaza, mesmo diante das denúncias internacionais de genocídio.


O primeiro-ministro também enfrenta um julgamento por corrupção em Israel e é alvo de um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em novembro de 2024, por acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza.

Entre seus principais aliados estão o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, defensores da anexação de territórios palestinos por Israel.


Principal adversário de Netanyahu, Eisenkot, de 66 anos, foi chefe do Estado-Maior israelense entre 2015 e 2019 e integrou o gabinete de guerra formado após os ataques de outubro de 2023. Deixou o governo em junho de 2024, em meio a divergências sobre a condução da guerra e a ausência de um plano para Gaza.


O ex-general promete investigar as falhas de segurança que permitiram os ataques do Hamas, restaurar a independência das instituições judiciais e enfrentar o aumento do custo de vida. Na política externa, porém, suas propostas mantêm elementos centrais da posição defendida por Netanyahu.


Segundo levantamento da agência Reuters, os dois candidatos se opõem à criação de um Estado palestino e defendem que Israel mantenha o controle de segurança sobre o território entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, e admitem retomar operações militares em Gaza.


As principais diferenças aparecem na política de assentamentos. Enquanto Netanyahu promoveu sua expansão, Eisenkot defende a manutenção daqueles autorizados pela legislação israelense, mas se opõe à construção de postos avançados não autorizados e à violência praticada por colonos contra palestinos.


O ex-general também rejeita a construção de novos assentamentos na região conhecida como E1, na Cisjordânia, cuja ocupação poderia dificultar a continuidade territorial de um futuro Estado palestino e ampliar o isolamento de Jerusalém Oriental.


Esquerda palestina disputa espaço no Parlamento

Entre as candidaturas que se opõem à ocupação israelense está a Lista Conjunta, aliança formada por Hadash, Ta’al e Balad, que reúne representantes palestinos e setores da esquerda judaica.


Liderada por Yousef Jabareen, a coalizão defende o fim da ocupação, a independência palestina e a igualdade de direitos entre cidadãos judeus e palestinos. Entre seus integrantes está Ofer Cassif, parlamentar judeu e comunista que se destacou pelas críticas à guerra em Gaza e pelo apoio à ação apresentada pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), por genocídio.


Outro partido de representação palestina é o Ra’am, liderado por Mansour Abbas, de orientação islâmica conservadora. A legenda defende o reconhecimento de um Estado palestino, mas adota uma estratégia de negociação parlamentar e chegou a integrar o governo israelense entre 2021 e 2022.


Em setembro, a Comissão Eleitoral Central decidiu impedir as candidaturas da Lista Conjunta e do Ra’am, além de parlamentares individualmente. A decisão foi revertida pela Suprema Corte em 2 de outubro, permitindo a participação das duas alianças e de Cassif.

A organização de direitos humanos Adalah, que representou os candidatos nos processos, denunciou a tentativa de exclusão como politicamente motivada e discriminatória.


As pesquisas indicam que os partidos de representação palestina podem conquistar entre 14 e 16 cadeiras, um avanço em relação às dez obtidas nas eleições de 2022. Se confirmada a projeção, o crescimento da bancada seria de 40% a 60%.


O resultado também ampliaria o peso dessas legendas em um Parlamento no qual nenhum dos principais blocos aparece com maioria garantida Apesar disso, Eisenkot já descartou incluir partidos da bancada palestina em um eventual governo liderado por ele.


Fonte: Agência Brasil

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