Ajuste de Milei, inspiração de Flávio, reduz novos aposentados em 53%
Equipe econômica do candidato cita governo argentino como referência; Flávio nega que cortes atingirão aposentadorias e programas sociais.

O governo de Javier Milei, apontado pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) como inspiração para o ajuste fiscal, registrou queda de 53% no número de novos aposentados na Argentina. As concessões passaram de 213,9 mil no primeiro semestre de 2024 para 99,6 mil no mesmo período de 2026, segundo os Boletins Estatísticos da Previdência Social apresentados (BESS) do país. A redução ocorreu após o governo argentino deixar de renovar a moratória previdenciária, encerrada em março de 2025. O mecanismo permitia que trabalhadores com idade para se aposentar regularizassem contribuições e completassem os 30 anos exigidos no regime geral.
Modelo argentino entra no debate eleitoral brasileiro
A coordenadora da equipe econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, citou a gestão Milei como referência durante o evento Esfera Brasil, em setembro.
“Vamos usar de inspiração o que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”, afirmou, conforme declaração segundo reportagem da revista Exame.
Flávio promete um “tesouraço” nas despesas públicas, mas os cortes ainda não foram detalhados. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobra explicações sobre seu alcance. O senador nega que o ajuste atingirá aposentadorias ou programas sociais.
Mudanças restringem acesso à aposentadoria
Com o encerramento da moratória argentina, pessoas que chegaram à idade de aposentadoria sem o tempo necessário de contribuição perderam essa possibilidade de regularização. Uma alternativa, sujeita aos critérios de acesso, é a Pensão Universal para o Adulto Maior (PUAM), que corresponde a 80% da aposentadoria mínima e exige pelo menos 65 anos de idade.
A diferença também afeta as mulheres: enquanto a idade de aposentadoria no regime geral é de 60 anos, o acesso à PUAM ocorre apenas aos 65.
Governo mudou a regra de reajuste
Além das alterações no acesso, Milei modificou a atualização dos benefícios por meio do Decreto de Necessidade e Urgência 274/2024. A regra passou a prever reajustes mensais pelo Índice de Preços ao Consumidor, considerando a inflação de dois meses antes do pagamento.
Ao anunciar a medida, o governo argentino argumentou que a fórmula anterior havia provocado perda de poder de compra e defendeu a correção mensal como forma de proteger a renda dos aposentados.
O advogado especializado em seguridade social Luciano González Etkin, ouvido pela Agência Brasil, avalia que a retirada de uma fórmula que permitia crescimento real dos benefícios consolida perdas anteriores no poder de compra das aposentadorias.
Com informações da Agência Brasil
Foto: Crédito: Iro Bosero/Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0




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