Guabiroba: fruta nativa da Mata Atlântica tem compostos que resistem à digestão e podem beneficiar a saúde metabólica
- Redação RT Notícia
- há 10 minutos
- 2 min de leitura
Estudo publicado em 2025 analisou fenólicos do fruto e das folhas da espécie e registrou resultados promissores em controle de glicemia e colesterol

Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) identificaram que compostos antioxidantes presentes na guabiroba — fruta nativa da Mata Atlântica — permanecem ativos após a digestão e apresentam potencial de atuação no controle glicêmico e na redução do colesterol.
Os resultados foram publicados em 2025 no periódico científico Foods.
O que é a guabiroba
A guabiroba (Campomanesia xanthocarpa) é da mesma família da goiaba. Ocorre predominantemente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, em árvores que podem ultrapassar 15 metros de altura.
O fruto é pequeno, amarelo, de sabor adocicado. Pode ser consumido in natura ou utilizado em geleias, compotas, sorvetes, sucos e molhos para carnes.
O que os cientistas analisaram
A equipe liderada pela engenheira de alimentos Aniela Kempka simulou o processo digestivo em laboratório para avaliar o comportamento dos compostos presentes no fruto e nas folhas da guabiroba.
Entre as substâncias identificadas estão os ácidos clorogênico, gálico, cafeico e elágico, além de kaempferol, quercetina e miricetina — todos da classe dos fenólicos, com ação antioxidante e indícios de efeito anti-inflamatório.
"Vários desses compostos permaneceram acessíveis após a digestão simulada", afirmou Kempka. Isso indica que os efeitos potenciais se mantêm no organismo após o consumo.
Biscoito com extrato da planta foi testado em cães
Os pesquisadores também desenvolveram um biscoito com extrato das folhas e dos frutos da guabiroba e o ofereceram a cães. Os resultados indicaram atuação no controle das taxas de açúcar na circulação e redução dos níveis de colesterol total.
Kempka ressalta, no entanto, que análises em humanos serão necessárias para confirmar esses achados.
Composição nutricional
Além dos fenólicos, análises da Embrapa Florestas identificaram na guabiroba:
Vitamina C, associada à função imunológica
Potássio, relacionado ao controle da pressão arterial
Carotenoides, pigmentos com ação antioxidante responsáveis pela coloração amarela do fruto
Por que estudar frutas nativas
A nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia, gerido pelo Einstein Hospital Israelita, aponta que investigar ingredientes nativos amplia o repertório alimentar, fortalece cadeias produtivas locais e contribui para modelos de produção sustentáveis.
"Quando ampliamos a variedade de frutas, verduras e legumes, há aumento no consumo de fibras, antioxidantes e fitoquímicos, o que impacta positivamente a microbiota intestinal, o metabolismo e a saúde em longo prazo", afirmou a nutricionista.
Não confunda: guabiroba, gabiroba-do-campo e guariroba
Existem espécies com nomes parecidos, mas características distintas:
Guabiroba (Campomanesia xanthocarpa): árvore de grande porte, Sul e Sudeste, fruto amarelo
Gabiroba-do-campo ou guavira (Campomanesia adamantium): arbusto de até dois metros, bioma Cerrado, fruto também amarelo e nutritivo
Guariroba ou gueroba (Syagrus oleracea): palmeira do Cerrado, sem relação com as anteriores; fornece palmito amargo e amêndoa usada em sobremesas
Próximos passos da pesquisa
O grupo da Udesc também estuda outros frutos nativos da Mata Atlântica, como jabuticaba, pitanga e araçá.
A guabiroba, segundo os pesquisadores, ainda é pouco explorada tanto na alimentação cotidiana quanto no desenvolvimento de alimentos funcionais — o que torna o campo de estudo promissor sob perspectivas científica, nutricional, econômica e ambiental.
Foto: Reprodução




.png)
Comentários