FLIN 2026 encerra edição com mais de 50 mil visitantes em Niterói
- Redação RTN
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Festa Literária teve quatro dias de programação gratuita, mais de 200 convidados e encerrou atividades com Fernanda Torres e Emicida

A Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026 terminou neste domingo (16) após receber mais de 50 mil visitantes durante quatro dias de programação no Reserva Cultural. O público ficou mais de 65% acima da estimativa inicial de 30 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Prefeitura de Niterói.
O encerramento teve como um dos principais destaques a participação da atriz e escritora Fernanda Torres, que conversou com o público sobre literatura, teatro, atuação, processo criativo e os livros que considera importantes para compreender a formação brasileira.
Na Sala Nelson Pereira dos Santos, Fernanda encerrou a programação oficial com a leitura do primeiro capítulo do romance A Glória e seu Cortejo de Horrores.
Durante a conversa, a atriz abordou a relação entre seu trabalho de interpretação e o processo de criação literária.
“Quando fui escrever, muito do meu treino de atriz entrou no processo. Existe um exercício muito grande de se colocar no personagem, pensar o que ele faria, o que responderia e enxergar o mundo pelo ponto de vista de outra pessoa”, afirmou.
Ao falar sobre obras para compreender o país, Fernanda citou Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Guimarães Rosa e Euclides da Cunha.
“Acho que o livro básico para entender o Brasil é Memórias Póstumas de Brás Cubas. É curto e é uma porta de entrada extraordinária para entender como somos”, disse.
Emicida participa do último dia
O cantor e escritor Emicida também participou da programação de encerramento, na mesa “De onde cê vem?”, mediada pela jornalista Luciana Barreto.
O encontro discutiu as relações entre literatura, oralidade, música, memória, cultura periférica e formação de identidade.
O domingo ainda contou com debates sobre periferia e boemia, ancestralidade, transformação social, humor, autoficção, história e literatura, além do Sarau Ocupação Afropoética.
Entre os participantes estiveram Aydano André Motta, Luiz Rufino, Beatriz Chacon, Cidinha da Silva, Preto Zezé, Elisa Larkin Nascimento, Fabiana Karla, Flávia Reis, Tatiana Salem Levy, Tati Bernardi e Mary Del Priore.
Mais de 200 convidados
Com o tema “Territórios das Palavras”, a FLIN 2026 homenageou a intelectual, antropóloga e ativista Lélia Gonzalez.
Ao longo dos quatro dias, foram realizadas mais de 62 horas de programação gratuita, com a participação de mais de 200 convidados.
A presença de autores locais e da Região Metropolitana aumentou em relação à edição anterior. Foram registrados 257 autores de Niterói, Rio de Janeiro, Maricá, Itaboraí e São Gonçalo.
Entre os convidados da edição estiveram Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Valter Hugo Mãe, Ruy Castro, Ana Maria Machado, Ondjaki, Luiz Antonio Simas, Lilia Schwarcz, Marcelo Adnet, Miriam Leitão, Teresa Cristina e outros nomes da literatura, música, jornalismo e produção cultural.
Venda de 4 mil livros
A FLIN também registrou crescimento na participação do mercado editorial. O número de editoras passou de dez, em 2025, para 13 neste ano.
Segundo a organização, três livrarias comercializaram aproximadamente 4 mil livros durante o evento. Editoras e livrarias também foram cadastradas para receber o Cartão Arariboia, moeda social utilizada em Niterói.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) participou da programação e doou 1,5 mil livros durante a festa. A Biblioteca Nacional também apoiou o evento.
A edição recebeu ainda estudantes da rede pública e promoveu atividades voltadas à formação de leitores. Uma ação do Instituto Léo Solidário permitiu a troca de resíduos por livros, enquanto alimentos foram arrecadados para o Banco de Alimentos de Niterói.
A programação foi gratuita e diferentes atividades contaram com tradução em Libras e audiodescrição.
O prefeito Rodrigo Neves afirmou que o município pretende manter os investimentos no evento.
“A festa foi abraçada pelos niteroienses e, por isso, veio para permanecer”, declarou.
A presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN), Micaela Costa, destacou a participação de diferentes públicos e linguagens na programação.
“Essa pluralidade aproxima pessoas que por vezes nem se descobriam leitoras e saem do evento transformadas, lendo mais e influenciando seu entorno”, afirmou.




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