Empresa ligada ao financiamento de Dark Horse recebeu dinheiro do crime organizado, afirma Durigan
Ministro da Fazenda diz que recursos do Banco Master e de grupos criminosos passaram pela mesma estrutura financeira; empresa foi alvo de operação do Ministério Público e da Receita Federal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre Investimentos, empresa que participou do financiamento do filme Dark Horse, recebeu recursos provenientes do crime organizado. A declaração foi dada nesta quinta-feira (24), após uma nova etapa das investigações da Operação Carbono Oculto.
O filme Dark Horse retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção passou a integrar as investigações após surgirem informações sobre recursos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, destinados ao projeto. Segundo a Agência Brasil, a Entre Investimentos tem participação no financiamento da produção.
O proprietário da Entre Investimentos, Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, também fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.
Durigan aponta origem comum de recursos
Ao comentar as investigações, Durigan afirmou que valores provenientes de diferentes origens teriam sido concentrados em uma mesma estrutura financeira.
“Estamos falando da administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso”, afirmou o ministro.
Segundo Durigan, os elementos apurados até agora indicam que recursos vinculados ao Banco Master, ao crime organizado e a pessoas que firmaram acordos de colaboração passaram por uma mesma estrutura financeira. O ministro também declarou que parte desse dinheiro teria sido usada em operações de lavagem de capitais e corrupção.
Operação investiga esquema financeiro
A nova etapa das apurações foi deflagrada em 24 de setembro pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Batizada de Operação Crédito Oculto, a ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto.
Segundo a Receita Federal, foram cumpridos mandados ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados. O objetivo é investigar estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar a origem e os beneficiários de recursos destinados, entre outras operações, à aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.
As investigações apontam para o uso de fintechs, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada. De acordo com a Receita, essas estruturas teriam criado sucessivas camadas de movimentação financeira para dificultar a identificação da origem do dinheiro e dos beneficiários finais.
Um dos dados levantados pela Receita mostra que uma empresa financeira envolvida nas operações investigadas movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O órgão afirma que o volume, analisado em conjunto com outras evidências, reforça os indícios de ocultação patrimonial e lavagem de capitais.
As investigações seguem em andamento.




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