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Cuba exalta aprovação de resolução na ONU contra bloqueio, apesar da ‘pressão brutal’ dos EUA

há 2 minutos
4 min de leitura

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) voltou a aprovar, nesta terça-feira (27), a resolução apresentada por Cuba, que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha. O texto recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. Outros 21 países estiveram ausentes, entre eles a Venezuela, que perdeu temporariamente o direito de voto devido a dívidas relativas ao pagamento de suas contribuições à organização.


O aumento no número de votos contrários e abstenções não deve ser lido como perda de apoio a Cuba, na avaliação do embaixador do país no Brasil, Victor Cairo. “Contra o atual cenário de crescente polarização e fragmentação, marcado por uma imposição desenfreada dos Estados Unidos em todo o mundo, com pressão brutal e chantagem grosseira, esse resultado é uma vitória retumbante para Cuba”, afirmou.


Ele ressalta que o governo de Donald Trump tentou impedir a aprovação da resolução usando de todo tipo de atitude arbitrária para pressionar os países na ONU, mas não funcionou.


“As ameaças dos Estados Unidos de impor tarifas, retirar vistos de funcionários do governo, retirar fundos para cooperação internacional e sua brutal pressão sobre países soberanos não impediram que a comunidade internacional e sua brutal pressão sobre países soberanos impedissem a comunidade internacional de estar novamente com Cuba”, relatou Cairo.


“A grande maioria da comunidade internacional apoiou novamente nossa demanda por justiça contra a punição coletiva a que o povo cubano está sujeito. Esta nova vitória do nosso povo confirma mais uma vez que há um reconhecimento global do nosso direito de viver em paz, sem bloqueios externos, interferência ou pressão”, completou o embaixador de Cuba no Brasil.


Nas redes sociais, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, comemorou a aprovação da resolução e afirmou que a maioria dos países voltou a se posicionar contra o bloqueio, apesar das fortes pressões e chantagens dos Estados Unidos para alterar o resultado da votação.


“Esta vitória de Cuba hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas é uma vitória do heroico povo cubano, que não se rende diante da asfixia econômica, das ameaças e dos abusos do governo dos EUA”, afirmou.


A resolução

Intitulada “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”, a resolução é apresentada por Havana e votada ininterruptamente desde 1992. Ao longo desse período, o documento tem recebido sistematicamente o apoio da maioria dos Estados-membros.


A votação deste ano ocorreu em meio ao endurecimento das medidas adotadas por Washington contra a ilha e às denúncias do governo cubano de que os Estados Unidos pressionaram delegações estrangeiras para que votassem contra a resolução ou se ausentassem da votação.


O documento aprovado pela comunidade internacional aponta que, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o bloqueio causou prejuízos superiores a US$ 8 bilhões, um aumento de 7% em relação ao período anterior. Os danos afetam diretamente a capacidade do Estado cubano de investir em políticas sociais, melhorar a infraestrutura e garantir serviços básicos, como saúde e educação.


Segundo o coordenador residente da ONU em Cuba, Francisco Pichón, a votação ocorre em um contexto de agravamento do bloqueio pela administração de Donald Trump, que provocou uma crise energética na ilha e ampliou o risco de um possível colapso humanitário.


Asfixia energética e medidas coercitivas

Desde o fim de janeiro, os Estados Unidos mantêm uma política de asfixia energética contra Cuba e ameaçam sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo” à ilha. No início de maio, a Casa Branca ampliou as chamadas “sanções secundárias”, que ameaçam impor medidas coercitivas unilaterais a empresas e entidades não americanas que mantenham relações comerciais com o Estado cubano.


As medidas aprofundam o caráter extraterritorial do bloqueio e buscam restringir as relações econômicas de Cuba com terceiros países, agravando as dificuldades enfrentadas pela ilha para garantir o abastecimento de energia e manter suas atividades econômicas e os serviços públicos.


Durante seu discurso na Assembleia Geral, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou que as medidas contra seu país foram concebidas expressamente para causar o maior dano possível, no menor tempo possível, a toda uma população. Segundo ele, não se trata dos chamados “danos colaterais”, que também classificou como inaceitáveis, mas de prejuízos deliberadamente provocados por decisão política.


Rodríguez afirmou ainda que Washington tenta provocar uma crise humanitária em Cuba para utilizá-la como arma. “O que Cuba reivindica é que a deixem em paz, que permitam ao povo cubano viver em paz, resolver em paz nossos próprios problemas e encontrar soluções para as grandes dificuldades do mundo atual, livres da agressão política, militar, cognitiva ou econômica”, declarou.


O chanceler reiterou a posição de Havana diante das medidas norte-americanas: “Cuba não é uma ameaça. O bloqueio, sim. O bloqueio energético é um ato de punição coletiva”.


Pressões dos EUA

Nas últimas semanas, Havana acusou Washington de pressionar as delegações de diferentes países para que votassem contra a resolução ou se ausentassem da votação.

Além da aprovação do texto pela 34ª vez, as atenções estavam voltadas para o posicionamento dos países, especialmente da América Latina e do Caribe, diante da ofensiva diplomática dos Estados Unidos, que, nos últimos dias, instaram os membros da Assembleia Geral a rejeitar a proposta cubana.


Na América Latina, Colômbia, Paraguai, Argentina, Equador, Costa Rica e Trinidad e Tobago votaram contra a resolução, ao lado dos Estados Unidos. A Venezuela não participou da votação. Já Chile, Honduras, Peru e República Dominicana mudaram de posição em relação ao ano passado e se abstiveram.


As mudanças contrastam com o resultado da votação anterior, quando a mesma resolução recebeu 165 votos favoráveis, 12 abstenções e sete votos contrários. Neste ano, portanto, o número de votos favoráveis caiu de 165 para 130, enquanto os votos contrários passaram de sete para 17 e as abstenções, de 12 para 25.


Fonte: Brasil de Fato

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