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Capital Político debate propostas para enfrentar o crime organizado no Brasil

Novo quadro “Projeto para o Futuro” reúne medidas como integração de dados, asfixia financeira das facções, reforma do sistema prisional e ampliação da presença social do Estado


O programa Capital Político inaugurou o quadro “Projeto para o Futuro”, dedicado à discussão de propostas e soluções para os principais desafios do país. A segurança pública foi o tema escolhido para a estreia, com um debate sobre o avanço das organizações criminosas, a crise do sistema prisional e a necessidade de combinar repressão qualificada, inteligência e políticas sociais.



Na abertura, o jornalista Márcio Kerbel apresentou um panorama da violência no Brasil. Apesar da queda das mortes violentas em 2025, quando foram registradas cerca de 40,7 mil vítimas, o fortalecimento das facções criminosas e o déficit de vagas nos presídios continuam entre os principais obstáculos enfrentados pelo poder público.


Como experiência bem-sucedida, o programa destacou o Pacto Niterói Contra a Violência. A política pública municipal integra investimentos em tecnologia e inteligência, ações preventivas e programas sociais e contribuiu para a redução expressiva dos índices de roubos e mortes violentas na cidade.


Inteligência e asfixia financeira


Pedro Maciel defendeu que o enfrentamento ao crime organizado deve priorizar o bloqueio das fontes de financiamento das facções. Segundo ele, a estratégia precisa envolver a integração de bancos de dados, o uso de novas tecnologias e a aplicação da inteligência artificial nas investigações.


Maciel também propôs o endurecimento das punições para agentes públicos envolvidos com organizações criminosas. Entre as medidas sugeridas está a possibilidade de dobrar a pena de policiais e outros servidores que utilizem suas funções para favorecer atividades ilegais.

Na gestão prisional, o advogado citou a instalação de bloqueadores de sinais de celulares como uma iniciativa de baixo custo e efeito imediato. A medida impediria que lideranças criminosas continuassem comandando atividades ilegais de dentro dos presídios.

Para Pedro Maciel, políticas estruturantes são indispensáveis, mas também é necessário oferecer respostas de curto prazo diante do sentimento de insegurança da população.



Repressão qualificada e respeito às leis


O ex-prefeito de Niterói Godofredo Pinto criticou o funcionamento do sistema prisional brasileiro. Em sua avaliação, as penitenciárias não cumprem adequadamente o papel de ressocialização e, em muitos casos, acabam funcionando como espaços de recrutamento e fortalecimento das facções.


Godofredo defendeu que o campo progressista apresente propostas claras e firmes para a segurança pública, sem reproduzir discursos baseados na violência e no confronto indiscriminado.


A alternativa, segundo ele, passa pela repressão qualificada, apoiada na inteligência estatal, na investigação e no cumprimento das leis. Ao sintetizar sua posição, afirmou que “bandido bom é bandido preso”, com os direitos e as garantias legais assegurados.


Regulamentação e presença social do Estado


Filinto Branco propôs que o país discuta diferentes modelos de regulamentação da maconha como parte de uma estratégia para reduzir o poder econômico do narcotráfico. A medida, segundo ele, poderia atingir uma das principais fontes de arrecadação das organizações criminosas.


Filinto também criticou operações policiais pontuais e violentas que não desarticulam a estrutura financeira e territorial do crime. Para ele, a retomada das comunidades exige presença permanente do Estado, não apenas por meio das forças de segurança, mas também com investimentos em saúde, educação, saneamento, infraestrutura, cultura e geração de oportunidades.


O debatedor lembrou experiências como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Apesar dos problemas enfrentados por essas iniciativas, Filinto avaliou que elas reuniam conceitos que podem ser aperfeiçoados em uma nova política de ocupação social e institucional dos territórios.


Plano nacional contra o crime organizado


O debate também abordou o plano do Governo Federal para o enfrentamento das organizações criminosas. A estratégia está estruturada em quatro eixos: asfixia financeira das facções, fortalecimento do sistema prisional, combate ao tráfico de armas e aumento do índice de elucidação de homicídios.


As propostas apresentadas na estreia do “Projeto para o Futuro” convergiram para a necessidade de uma política nacional capaz de integrar União, estados e municípios. O debate mostrou que o enfrentamento à violência exige ações imediatas, mas também depende de planejamento, inteligência, combate à corrupção e presença social permanente do Estado nos territórios mais vulneráveis.


Esta edição do Capital Político pode ser assistida no link: https://tinyurl.com/3nw89w58


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