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Vida cultural ativa está associada a envelhecimento fisiológico mais lento, aponta estudo

há 11 minutos
3 min de leitura
Pesquisa com adultos na Inglaterra relacionou maior frequência a cinemas, museus e teatros a uma idade fisiológica até 1,2 ano menor
Vida cultural ativa pode estar associada a um envelhecimento mais saudável. Foto: Unsplash
Vida cultural ativa pode estar associada a um envelhecimento mais saudável. Foto: Unsplash

Frequentar cinemas, museus, galerias, teatros e concertos com maior regularidade está associado a um envelhecimento fisiológico mais lento. A conclusão é de um estudo realizado com 1.899 adultos na Inglaterra que analisou a relação entre participação em atividades culturais e indicadores de saúde.


A diferença estimada de idade fisiológica entre os participantes com menor e maior nível de engajamento cultural chegou a 1,2 ano. Os resultados foram publicados no Journal of Epidemiology and Community Health.


A idade fisiológica é diferente da idade cronológica. Enquanto a segunda representa simplesmente os anos de vida de uma pessoa, a primeira procura medir como o organismo está envelhecendo.


“Ela pode ser influenciada pela característica genética, pelos hábitos, pela história de vida e pelos determinantes sociais da saúde. Tem uma série de fatores que acabam influenciando”, explica Sley Tanigawa Guimarães, coordenadora da pós-graduação em medicina do estilo de vida da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.


Como a participação cultural foi medida


Os pesquisadores utilizaram dados do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), estudo que acompanha adultos com 50 anos ou mais. Os participantes responderam com que frequência frequentavam cinemas, museus ou galerias e teatros, concertos ou óperas. A partir das respostas, os pesquisadores criaram uma escala de engajamento cultural que variava de zero a 15 pontos.


Quanto maior a pontuação, maior a frequência de participação nessas atividades.

Para estimar a idade fisiológica, foram considerados dez indicadores relacionados a diferentes sistemas do organismo, incluindo pressão arterial, capacidade pulmonar, hemoglobina glicada, colesterol LDL, índice de massa corporal (IMC), força de preensão das mãos e velocidade da caminhada.


Diferença chegou a 1,2 ano


A pesquisa encontrou uma associação gradual. A cada ponto adicional na escala de engajamento cultural, a idade fisiológica foi, em média, 0,085 ano menor, o equivalente a aproximadamente 31 dias.


No modelo usado pelos pesquisadores, pessoas com pontuação zero apresentavam idade fisiológica estimada em 69 anos. Entre aquelas que chegaram aos 15 pontos, a estimativa caiu para 67,8 anos.


A relação também foi observada quando os pesquisadores compararam o engajamento cultural dos participantes com sua idade fisiológica quatro anos depois.


Cultura também estimula memória, atenção e convívio social


Uma das possíveis explicações está no conjunto de atividades envolvidas em um programa cultural. Sair para assistir a um filme, visitar uma exposição ou ir a um espetáculo exige planejamento, deslocamento e, muitas vezes, interação com outras pessoas.


Além disso, atividades culturais podem estimular atenção, memória, interpretação e emoções.


“Sair para uma atividade cultural envolve muito mais do que assistir a um filme ou observar uma obra de arte. É preciso programar o passeio, lembrar do compromisso, organizar o deslocamento e, muitas vezes, encontrar e conversar com outras pessoas”, afirma Guimarães.


Segundo ela, música, artes e espetáculos também representam estímulos cognitivos.


O convívio social e a redução do estresse são outros fatores considerados. Pesquisas anteriores já relacionaram participação cultural a menor solidão, hábitos mais saudáveis e melhores indicadores de saúde mental.


Associação não significa causa


Os próprios pesquisadores fazem uma ressalva importante: o estudo não demonstra que frequentar atividades culturais faça uma pessoa envelhecer mais devagar.


A pesquisa identifica uma associação entre os dois fatores, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito.


Existe, inclusive, a possibilidade inversa: pessoas com melhores condições físicas, cognitivas e sociais podem ter mais autonomia e disposição para sair de casa e participar de atividades culturais.


Atividade cultural não precisa ser cara


Manter contato com a cultura também não depende necessariamente de frequentar teatros, concertos ou exposições pagos.


Leitura, música, dança, cinema, atividades comunitárias e programações culturais gratuitas são alternativas para manter estímulos cognitivos e ampliar a convivência social.


“Não precisa ir a uma ópera. Uma pessoa que ouve e aprecia com atenção uma música na própria casa pode ter até mais valor do que alguém que está só de corpo presente em um espetáculo”, afirma Guimarães.


O estudo reforça uma discussão mais ampla sobre envelhecimento: além da atividade física, alimentação e acompanhamento da saúde, fatores ligados à sociabilidade, ao estímulo intelectual e à participação cultural também podem estar relacionados à maneira como as pessoas envelhecem.

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