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Segurança pública: é hora de enfrentar o problema por inteiro

 Tânia Rêgo/Agência Brasil
 Tânia Rêgo/Agência Brasil

À extrema-direita interessa manter o tema da segurança pública em permanente ebulição, mas sem jamais apresentar soluções estruturais. Seu discurso se apoia no medo e na indignação da população, explorando tragédias e ampliando o sentimento de insegurança para reforçar sua narrativa política. Falta-lhe, porém, o compromisso com políticas eficazes, baseadas em inteligência, planejamento e coordenação entre os entes federativos.


A verdade é que combater o crime organizado e reduzir a violência requer mais do que endurecimento de penas ou operações espetaculares. É preciso adotar uma política pública sólida, ancorada no uso de dados, no fortalecimento da investigação e na integração entre polícias, Ministério Público, Judiciário e sistema prisional. Sem essa articulação, qualquer esforço se torna fragmentado e de curto alcance.


No entanto, mesmo entre aqueles que propõem uma agenda mais racional e humanizada, há um ponto frequentemente deixado de lado: a crise penitenciária. O sistema prisional brasileiro é, hoje, um dos principais vetores de reprodução do crime. Superlotados, insalubres e desprovidos de qualquer política de reinserção social, os presídios se tornaram centros de comando de facções que atuam dentro e fora dos muros. A omissão do Estado transformou o que deveria ser espaço de reeducação em uma usina de violência.


Enfrentar esse problema exige medidas concretas. É necessário estabelecer critérios claros de separação de presos por grau de periculosidade, investir em controle tecnológico e criar programas efetivos de educação e trabalho dentro das unidades prisionais. Do lado de fora, políticas de justiça restaurativa podem oferecer respostas mais amplas às vítimas, com mecanismos de reparação e reconstrução de vínculos sociais.


A segurança pública não se resume à repressão. Ela é um sistema complexo, que envolve prevenção, inteligência, controle penal e reinserção social. Reduzi-la a slogans ou a uma guerra sem fim é um erro que o Brasil não pode continuar repetindo. Se quisermos resultados duradouros, precisamos de políticas que enfrentem o crime com eficiência, mas também com racionalidade e respeito à vida — porque segurança verdadeira se constrói com Estado forte, sociedade mobilizada e justiça que não abdica da humanidade.

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