Prefeitura de Niterói vai restaurar e reabrir o histórico Teatro Leopoldo Fróes
Fechado há 35 anos, espaço cultural no Centro da cidade será desapropriado e recuperado para receber espetáculos e valorizar a produção artística niteroiense

A Prefeitura de Niterói anunciou a recuperação do Teatro Leopoldo Fróes, importante marco da história cultural da cidade. Fechado desde 1991, o teatro será desapropriado e restaurado para voltar a receber espetáculos, grupos teatrais e outras manifestações artísticas.
Segundo o anúncio divulgado no domingo (18), o prefeito Rodrigo Neves deverá assinar ainda nesta semana o decreto de desapropriação do imóvel, localizado no Centro de Niterói. A iniciativa integra o projeto de revitalização da região e atende a uma antiga reivindicação de artistas e produtores culturais.
Para o prefeito, a recuperação do Leopoldo Fróes representa o resgate de uma parte importante da memória da cidade.
“Meu desejo de recuperar o Teatro Leopoldo Fróes, fechado há mais de três décadas, é um projeto que estamos tratando com muito carinho e planejamento. Ele faz parte da memória afetiva da cidade e é um desejo antigo da classe artística”, afirmou Rodrigo Neves. O prefeito destacou ainda que o espaço deverá acolher grupos e coletivos culturais de Niterói, fortalecendo a produção artística local e a economia criativa.
Um palco de resistência à ditadura militar
A história do Teatro Leopoldo Fróes está ligada à resistência cultural durante a ditadura militar e à formação de diferentes gerações de artistas.
Antes de receber o nome atual, o espaço funcionava como Teatro Alvorada. Em 1973, foi fechado por determinação do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), após a apresentação da peça Arena conta Zumbi, encenada pelo grupo Ceia, do Instituto Abel.
O espetáculo abordava a resistência dos quilombolas de Palmares e foi considerado subversivo pela repressão política da época.
Depois de dez meses fechado, o teatro reabriu com o nome de Leopoldo Fróes, em homenagem ao ator e comediante nascido em Niterói que se tornou uma referência do teatro brasileiro.
Nas décadas seguintes, o espaço se consolidou como um importante centro de experimentação artística. Grupos como Grito e Papel Crepon, além de movimentos como Niterói Vai Sumir, Niterói Vai Assumir e Araribroadway, ajudaram a movimentar a cena cultural da cidade.
De Elza Soares a Zélia Duncan: um palco de grandes talentos
Na década de 1980, o Leopoldo Fróes ampliou sua programação e passou a receber espetáculos profissionais do Rio de Janeiro, além de apresentações musicais que marcaram época.
Artistas como Elza Soares, Leci Brandão, Sidney Magal, Zizi Possi, Elba Ramalho e Pepeu Gomes passaram pelo palco do teatro.
O espaço também contribuiu para a projeção de talentos ligados a Niterói, entre eles Zélia Duncan, Arthur Maia, Dalto, Byafra, Marvio Ciribelli, Sergio Chiavazzoli e Marcos Sabino.
A programação diversificada transformou o Leopoldo Fróes em um ponto de encontro entre teatro, música e movimentos culturais, fortalecendo a identidade artística da cidade.
Fechamento provocou mobilização de artistas
Em 1991, o teatro deixou de funcionar sob a administração municipal e acabou fechando as portas. A decisão provocou a reação da classe artística, que organizou o movimento SOS Leopoldo Fróes.
Artistas e produtores realizaram manifestações, um abraço simbólico ao teatro, um espetáculo na Praça da República e um abaixo-assinado pela reabertura. Apesar da mobilização, o espaço permaneceu fechado.
Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o imóvel sofreu um incêndio, agravando a situação de abandono.
Agora, a proposta de desapropriação e restauração abre a possibilidade de devolver à população um equipamento cultural que permanece fora de funcionamento há três décadas e meia.
Recuperação faz parte da revitalização do Centro
A reabertura do Teatro Leopoldo Fróes está inserida no programa Reviver Centro, que reúne investimentos públicos e iniciativas voltadas à recuperação econômica, urbana e cultural da região central de Niterói.
Entre os equipamentos e projetos associados à transformação da região estão o Mercado Municipal, a Arena Niterói, o Museu do Cinema e a recuperação de espaços históricos.
A proposta da Prefeitura é fortalecer o Centro como local de convivência, lazer, cultura e desenvolvimento econômico.
Rodrigo Neves também relacionou o futuro do teatro à Biblioteca Pública Municipal, na Praça da República, apontando os dois equipamentos como referências para a revitalização cultural da região.




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