Operação em Icaraí mira desembargador e suspeita de favorecimento a construtoras
Seis mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo STJ; investigação apura possíveis vantagens repassadas à família do magistrado

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (8), a Operação Em Nome do Pai, em Niterói, para investigar suspeitas de favorecimento a empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais. A ação cumpre seis mandados de busca e apreensão em Icaraí, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Entre os alvos está o desembargador Alexandre Eduardo Scisinio, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Os fatos investigados remetem ao período em que ele atuava como juiz de primeira instância em Niterói, antes de ser promovido a desembargador, em 2021.
Também são alvos a esposa do magistrado, dois filhos, uma cunhada e uma advogada. Os mandados foram expedidos pelo ministro Og Fernandes, do STJ. Em um endereço ligado a um dos filhos de Scisinio, os policiais apreenderam R$ 27 mil em espécie.
Suspeita de vantagens à família
A investigação começou com informações encaminhadas pela Corregedoria-Geral do TJRJ, obtidas em um procedimento administrativo sobre a conduta do magistrado.
Segundo a PF, decisões judiciais sob apuração teriam ocorrido enquanto familiares recebiam vantagens indevidas, como imóveis, descontos comerciais excepcionais e pagamentos indiretos. A corporação também investiga a participação de intermediários e empresas ligadas aos envolvidos.
Os supostos atos de corrupção remontam à atuação do magistrado na primeira instância. A PF afirma, porém, que as práticas de lavagem de dinheiro investigadas teriam continuado ao longo do tempo. Os fatos podem configurar organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
Posicionamento do tribunal
O TJRJ informou que não comenta decisões de instâncias superiores e indicou que esclarecimentos sobre a medida devem ser solicitados ao tribunal responsável. A instituição mencionou as restrições previstas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional para manifestações sobre processos e decisões judiciais.




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