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Nísia Trindade aponta desafios para o futuro do SUS no Capital Político

Ex-ministra da Saúde fala sobre mudanças climáticas, vacinação, hospitais federais, envelhecimento da população e financiamento da saúde em entrevista à RTN

Nísia Trindade participa do Capital Político e debate com a bancada os desafios e o futuro do SUS no Brasil. Foto: Rerodução
Nísia Trindade participa do Capital Político e debate com a bancada os desafios e o futuro do SUS no Brasil. Foto: Rerodução

O futuro do Sistema Único de Saúde (SUS), os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde pública, o envelhecimento da população e o financiamento das políticas sociais estiveram no centro da mais recente edição do Capital Político, programa da RTN. A convidada do quadro Ideias para o Brasil foi a pesquisadora, ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-ministra da Saúde Nísia Trindade.


Apresentado por Márcio Kerbel, com as participações de Godofredo Pinto, Filinto Branco e Pedro Maciel, o programa discutiu os desafios que o Brasil terá de enfrentar para preservar e fortalecer o SUS diante das transformações demográficas, ambientais e políticas das próximas décadas.


Nísia Trindade, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, também abordou questões relacionadas ao orçamento federal, às emendas parlamentares e à necessidade de garantir recursos para Saúde e Educação.


Mudanças climáticas ampliam desafios para a saúde


Um dos principais temas da entrevista foi o impacto das mudanças climáticas sobre o sistema público de saúde. Enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos aumentam a pressão sobre hospitais e unidades de atendimento e exigem novas estratégias de prevenção e planejamento.


Nísia destacou o Adapta SUS, iniciativa destinada a preparar o sistema de saúde para os efeitos da emergência climática. Segundo a ex-ministra, a resposta ao problema exige articulação entre diferentes áreas do governo, já que os impactos sobre a saúde estão relacionados também às condições de moradia, saneamento, meio ambiente e infraestrutura urbana.


Negacionismo e resistência às vacinas


A disseminação de informações falsas e a resistência às vacinas também tiveram destaque na conversa. Nísia chamou atenção para a aproximação entre movimentos políticos de extrema direita e discursos contrários à ciência.


Para a ex-ministra, enfrentar o negacionismo não pode ser uma tarefa exclusiva dos governos ou dos profissionais de saúde. O desafio envolve instituições científicas, escolas, meios de comunicação e diferentes setores da sociedade.


A recuperação das coberturas vacinais aparece, nesse contexto, como parte de um esforço mais amplo para reconstruir a confiança da população nas políticas de saúde e nas evidências científicas.


Hospitais federais do Rio


Questionada por Godofredo Pinto, Nísia abordou a situação dos hospitais federais localizados no Rio de Janeiro e os problemas encontrados nessas unidades.


A ex-ministra relatou dificuldades estruturais e de gestão e falou sobre o processo de reestruturação adotado pelo Governo Federal. A recuperação da capacidade de atendimento dessas unidades, segundo a discussão apresentada no programa, permanece como uma questão estratégica para o funcionamento do SUS no estado.


Emendas e financiamento da Saúde


O financiamento das políticas públicas levou o debate da saúde diretamente para o campo político. Nísia criticou o crescimento das emendas parlamentares impositivas e seus efeitos sobre a capacidade de planejamento do Governo Federal.


A ex-ministra também manifestou preocupação com propostas de desindexação dos recursos destinados à Saúde e à Educação. Para ela, enfraquecer os pisos constitucionais dessas duas áreas comprometeria políticas fundamentais e produziria consequências de longo prazo.


Ao defender a manutenção dessas garantias, Nísia afirmou que mexer nos pisos da Saúde e da Educação seria “dar um tiro no pé no futuro do Brasil”.


Envelhecimento exige um novo olhar para o SUS


Outro desafio estrutural abordado foi o rápido envelhecimento da população brasileira. O aumento da expectativa de vida, combinado à redução da participação das faixas mais jovens na população, deverá modificar profundamente as demandas sobre o SUS.


O sistema terá de ampliar a capacidade de acompanhamento contínuo dos pacientes, prevenção e tratamento de doenças crônicas e promoção de uma velhice com maior autonomia e qualidade de vida.


Nísia defendeu, nesse cenário, o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família e das equipes multiprofissionais, com uma atenção básica capaz de acompanhar as pessoas ao longo de diferentes etapas da vida.


SUS desperta interesse internacional


A dimensão internacional do SUS também entrou no debate. A bancada questionou por que um sistema reconhecido mundialmente por sua concepção universal não foi reproduzido de maneira mais ampla em outros países.


Nísia recuperou a trajetória da Reforma Sanitária brasileira e a construção da saúde como um direito assegurado pela Constituição. Embora o modelo brasileiro não tenha sido simplesmente reproduzido no exterior, a ex-ministra afirmou que diferentes experiências desenvolvidas pelo SUS despertam interesse e influenciam políticas em outros países.


Ela citou, entre os exemplos, aproximações e experiências de cooperação com países africanos e latino-americanos.


Lições da pandemia ainda estão em aberto


Nas considerações finais, Nísia Trindade voltou à experiência da pandemia de Covid-19 para defender o fortalecimento dos mecanismos nacionais e internacionais de prevenção e resposta a futuras emergências sanitárias.


A ex-ministra também apresentou seu livro “Ainda Há Tempo: A pandemia de COVID-19 e o futuro da saúde”, no qual discute as lições deixadas pela crise sanitária e os desafios que permanecem para o Brasil e para os sistemas de saúde em todo o mundo.


A participação de Nísia Trindade no Capital Político reforçou a proposta do quadro Ideias para o Brasil, criado para discutir, para além das questões imediatas da política, caminhos e propostas para problemas estratégicos do país.


A entrevista completa está disponível no Capital Político, no canal RTN no YouTube.


Sobre o combate ao negacionismo científico, assista a esse short: https://tinyurl.com/msfs6a7m


Para assistir ao programa completo, clique em: https://tinyurl.com/mr2vcs9v



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