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Minas Gerais recebe maior encontro da América Latina dos Povos de Matriz Africana


Mais de 500 lideranças religiosas, ativistas, pesquisadores e representantes de governos do Brasil e de outros países participam da quarta edição do Égbé — Encontro Nacional das Culturas dos Povos de Matriz Africana, que começou nesta quinta-feira (4) e segue até sábado (7), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O evento tem como foco a valorização cultural e a defesa dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana.


Promovido pelo Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afrobrasileira (Cenarab), o encontro reúne participantes de todos os estados brasileiros e de oito países das Américas e da África. A programação inclui debates, mesas de discussão, apresentações culturais e espaços voltados à articulação política e social.


Com o tema “O Poder Ancestral”, o evento busca fortalecer o diálogo entre instituições, ampliar a visibilidade das práticas culturais e religiosas de matriz africana e contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais.


Entre os participantes estão a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, o professor Kabengele Munanga, o professor Eduardo Oliveira, o embaixador de Gana no Brasil, Nii Amasah Namoale, além de autoridades religiosas e representantes de organizações de diferentes países.


Segundo a coordenadora-geral do Cenarab, Makota Celinha Gonçalves, a edição deste ano tem como referência o pan-africanismo. “Com base no pan-africanismo como matriz cultural, filosófica e política, essa edição propõe reflexões sobre identidade, ancestralidade, diversidade cultural e resistência ao racismo estrutural e religioso, fortalecendo os terreiros enquanto agentes culturais. Também vamos enfatizar a centralidade da corporalidade feminina como expressão simbólica, política e estética, reconhecendo o protagonismo das mulheres nos processos de transmissão de saberes e na organização comunitária”, afirmou.


A organização destaca que o encontro também busca ampliar o intercâmbio cultural entre representantes de diferentes regiões e países. Para Makota Celinha, “ao promover intercâmbio cultural entre representantes de todos os estados brasileiros e mais oito países das Américas e África, o projeto contribui para a democratização do acesso à cultura, a formação de público e a articulação de redes culturais afrobrasileiras”.


O evento conta com o apoio de órgãos federais, instituições de pesquisa, entidades da sociedade civil e organizações voltadas à promoção da igualdade racial, da cultura e dos direitos humanos. A expectativa é que as atividades reforcem o debate sobre liberdade religiosa, enfrentamento ao racismo e fortalecimento das comunidades de matriz africana.

Fonte: Brasil de Fato

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