Lula veste verde e amarelo e entra na ofensiva digital de Janones
Presidente adere à mobilização que reúne artistas, parlamentares e milhares de apoiadores para recuperar os símbolos nacionais e fortalecer a campanha nas redes sociais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou de vez na mobilização digital organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Na manhã deste sábado (17), Lula publicou nas redes sociais uma fotografia vestindo a camisa amarela da seleção brasileira, em adesão à campanha “O verde e amarelo é nosso”, que busca recuperar os símbolos nacionais associados, nos últimos anos, ao bolsonarismo.
A imagem foi acompanhada de uma mensagem curta: “Bora, Brasil!”. Na camisa, um adesivo trazia a frase “O Brasil é dos brasileiros”, reforçando o discurso de soberania nacional adotado pela campanha do presidente.
A iniciativa ocorre na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Janones convoca mobilização nacional
A campanha começou na sexta-feira (16), quando André Janones convocou integrantes do chamado “Exército do Lula”, sua comunidade de mobilização política no WhatsApp, a participar de uma ação coordenada nas redes sociais.
A orientação foi simples: vestir verde e amarelo, publicar fotografias e fazer o gesto da letra “L” com os dedos. As postagens deveriam começar às 9h deste sábado, com o objetivo de ampliar a circulação das imagens e criar uma mobilização coletiva.
O movimento representa uma tentativa de disputar a identidade visual do patriotismo brasileiro, que ganhou forte associação com Jair Bolsonaro e seus seguidores, especialmente pelo uso da camisa da seleção em manifestações políticas.
A mensagem central da campanha é que a bandeira, suas cores e a camisa da seleção pertencem a todos os brasileiros, independentemente de suas preferências políticas.
Artistas e parlamentares entram na campanha
A convocação ultrapassou os grupos políticos e recebeu a adesão de artistas, influenciadores e parlamentares.
Entre os participantes estão as atrizes Sophie Charlotte, Débora Falabella, Carol Castro, Marjorie Estiano e Bianca Bin. Também aderiram o ator Carmo Dalla Vecchia e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), além de outros representantes políticos.
As publicações mostram personalidades usando as cores nacionais e reforçando a ideia de que o verde e amarelo não devem ser associados exclusivamente a uma corrente política.
A participação do próprio Lula deu maior visibilidade à mobilização, transformando uma iniciativa surgida nas redes sociais em uma ação da campanha presidencial.
Guerra digital ganha força na reta final
A ofensiva também evidencia a crescente influência de André Janones na estratégia de comunicação eleitoral de Lula.
O deputado mineiro ganhou protagonismo no segundo turno ao reunir mais de quatro milhões de participantes no canal “Exército do Lula”, utilizado para compartilhar conteúdos e mobilizar apoiadores.
A estratégia aposta na força das redes sociais, na participação de personalidades públicas e na divulgação coordenada de mensagens para disputar atenção com a campanha adversária.
O movimento acontece em um momento em que a disputa digital também está sob atenção da Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral determinou que a Meta assegure tratamento igualitário às duas campanhas em suas plataformas. A empresa nega favorecimento político e atribui problemas relatados a falhas técnicas.
A disputa vai além das cores
Mais do que uma campanha de fotografias, a mobilização tem significado político e simbólico.
Durante anos, a camisa amarela da seleção brasileira tornou-se uma marca visual de manifestações bolsonaristas. Agora, a campanha de Lula tenta romper essa associação e reforçar que os símbolos nacionais representam toda a sociedade.
Ao vestir a camisa da seleção, Lula sinaliza apoio a uma estratégia que pretende ampliar sua presença na internet e disputar o significado político do patriotismo.
A oito dias da votação, a mobilização mostra que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro também passa pelas imagens, narrativas e símbolos que circulam diariamente nas redes sociais.




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