Lula quer mais ruas, rádio e debates no segundo turno
Em reunião com aliados, presidente cobra revisão da campanha e anuncia intenção de ampliar o contato com eleitores que não votaram na primeira etapa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos aliados uma revisão da campanha e mais contato com os eleitores durante o segundo turno. Conforme o relato divulgado pela campanha, Lula reuniu governadores, parlamentares, candidatos e lideranças políticas nesta segunda-feira (5) e defendeu intensificar caminhadas, entrevistas em rádio e participação em debates na disputa com Flávio Bolsonaro.
Ao tratar dos próximos 20 dias de mobilização, o presidente reconheceu a frustração por não ter vencido na primeira etapa e cobrou autocrítica da equipe. A orientação foi identificar falhas e ajustar o trabalho para a reta final.
“A gente não tem que ficar procurando defeitos que os outros cometeram. Não. Temos que procurar o que não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer”, afirmou.
A aproximação com quem não compareceu às urnas está entre as prioridades apresentadas por Lula. Na avaliação do presidente, a campanha precisa compreender as razões do afastamento desses eleitores e oferecer motivos para que participem da votação.
“O que aconteceu com essas pessoas? Eles não foram convencidos? Não gostam dos candidatos?”, questionou. “A responsabilidade é nossa, é devolver o interesse para ele participar do processo eleitoral.”
Mais entrevistas e caminhadas
Lula avaliou que participou de poucas entrevistas em rádio durante o primeiro turno e disse que pretende ampliar a presença nesse meio. Também anunciou a intenção de conversar mais diretamente com a população.
“Eu acho que tenho que fazer mais rádio. Vou ter que fazer mais rádio, vou ter que fazer mais selfie, vou ter que conversar mais”, declarou.
O presidente mencionou novas caminhadas no Ceará, Piauí, Bahia e na cidade de São Paulo, além da participação nas campanhas de aliados que continuam na disputa nos estados. O relato da reunião não apresenta um calendário fechado para essas atividades.
Os debates na televisão também ganharam espaço na estratégia anunciada. Lula afirmou que o confronto direto entre os dois candidatos permitirá discutir as diferenças entre os projetos.
“Agora é importante ter debate na televisão, porque é tête-à-tête. É um contra um”, disse.
Entre os temas que pretende abordar, citou a valorização do salário mínimo, políticas de inclusão, investimentos em hospitais universitários e continuidade das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também mencionou a proposta de reduzir o tempo entre o diagnóstico de câncer e o início do tratamento.
Segurança pública e presença do Estado
Na reunião, Lula defendeu a aprovação da proposta de emenda à Constituição sobre segurança pública encaminhada pelo governo ao Congresso. Pediu apoio dos governadores para acelerar a tramitação e sustentou que o enfrentamento ao crime organizado exige integração entre União e estados, inteligência e formação profissional.
“Lugar de bandido é na cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar”, afirmou.
O presidente também associou a recuperação de territórios à oferta permanente de serviços públicos nas comunidades. Segundo ele, a atuação policial precisa ser acompanhada de políticas sociais.
“Não haverá polícia capaz de resolver o problema da segurança pública se o Estado não estiver de corpo presente na comunidade levando política social. Nós temos que cuidar da escola, da saúde.”
Lula voltou a defender uma discussão sobre mudanças no Poder Judiciário, incluindo os critérios de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal e a possibilidade de mandatos na Corte. O texto divulgado pela campanha não detalha uma proposta formal para essas alterações.
Ao encerrar o encontro, o presidente manifestou confiança na vitória. A orientação aos aliados foi intensificar a mobilização, ampliar a escuta e explicar as propostas na reta final do segundo turno.




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