top of page

Flávio Bolsonaro apaga posts em que chamava Bolsa Família de “bolsa-farelo”

há 10 horas
3 min de leitura

Publicações antigas revelam críticas do candidato ao programa social, que agora promete manter em meio à disputa presidencial

Publicações antigas revelam críticas do candidato ao programa social, que agora promete manter em meio à disputa presidencial.
Publicações antigas revelam críticas do candidato ao programa social, que agora promete manter em meio à disputa presidencial.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apagou de sua conta no X, antigo Twitter, publicações nas quais atacava o Bolsa Família e criticava os programas de transferência de renda destinados à população mais pobre. A revelação, feita inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, ocorre a poucos dias do segundo turno presidencial, quando o candidato procura convencer os eleitores de que manterá o benefício caso seja eleito.


Entre as mensagens excluídas está uma publicação de 24 de junho de 2013, na qual Flávio Bolsonaro acusava o PT de perpetuar a pobreza para conquistar votos. Na ocasião, escreveu:


“O PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência pra não perder seus votos!”


A postagem, reproduzida em capturas de tela que voltaram a circular nas redes sociais, expõe uma posição bastante diferente daquela apresentada atualmente pelo candidato.


O Estadão preservou cópias das publicações antigas, com datas e endereços originais, permitindo identificar quais conteúdos deixaram de estar disponíveis. A data exata das exclusões não foi confirmada.



Ataques ao Bolsa Família vêm de longa data


As críticas de Flávio Bolsonaro aos programas sociais não se limitaram a uma publicação isolada.


Em abril de 2010, o então deputado estadual relacionou o Bolsa Família à compra de votos e afirmou que o Brasil não avançaria enquanto benefícios sociais fossem utilizados, segundo sua avaliação, como instrumentos eleitorais.


Em outras mensagens, publicadas entre 2011 e 2014, questionou o recebimento de benefícios por pessoas desempregadas e acusou o PT de utilizar recursos públicos para manter apoio político.


O histórico também inclui sua atuação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Em novembro de 2011, Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual a votar contra o programa Renda Melhor, aprovado por 54 votos a um. A iniciativa complementava a renda de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza no estado.


Na época, ele também utilizou a expressão depreciativa “bolsa-farelo estadual” e defendeu emendas para limitar a dois anos o recebimento do benefício.


Agora, Flávio promete manter o programa


A mudança de discurso ganhou importância na reta final da campanha presidencial.

Nesta segunda-feira (19), Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes sociais para assegurar aos beneficiários que o Bolsa Família seria mantido em um eventual governo.


A coordenadora econômica de sua campanha, Daniella Marques, apresentou uma proposta para ampliar a dois anos o período de transição destinado às famílias que aumentarem sua renda ao conseguir emprego formal ou abrir um negócio.


Segundo a explicação da campanha, a medida não estabelece um prazo máximo de dois anos para todos os beneficiários. O período seria aplicado à regra de transição, com previsão de retorno ao programa caso a família perca sua fonte de renda.


Entretanto, a própria Daniella Marques provocou controvérsia ao classificar a dependência de programas sociais como uma “prisão assistencialista”. As declarações reforçaram o debate sobre como um eventual governo Flávio Bolsonaro trataria a política de transferência de renda.


Contradições entram no debate eleitoral


A exclusão das publicações coloca em evidência a distância entre o histórico político do senador e o discurso adotado durante a campanha.


Durante anos, Flávio Bolsonaro associou programas de transferência de renda à dependência econômica e ao uso eleitoral da pobreza. Agora, diante da disputa presidencial, apresenta-se como defensor da continuidade do Bolsa Família.


Embora seja legítimo que um político reveja suas posições, a mudança exige explicações, principalmente quando envolve uma política pública que garante renda a milhões de famílias brasileiras.


A campanha de Flávio não havia respondido, até a publicação da reportagem original do Estadão, aos questionamentos sobre a retirada das mensagens.


A controvérsia deve marcar o debate político nos últimos dias antes do segundo turno, colocando no centro da disputa uma pergunta: qual posição sobre o Bolsa Família representa, de fato, o projeto de governo de Flávio Bolsonaro?



Comentários


Cópia de CAPITAL POLÍTICO (300 x 250 px).png
Ativo 4_2x.png

© 2023 | TODOS OS CONTEÚDOS DO RADAR TEMPO DE NOTÍCIA PODEM SER

REPRODUZIDOS DESDE QUE NÃO SEJAM ALTERADOS E QUE SE DÊEM OS DEVIDOS CRÉDITOS.

  • https://api.whatsapp.com/send?phone=552198035-5703
  • YouTube
  • Instagram
  • Facebook
bottom of page