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Canetas para emagrecer não substituem mudança de hábitos, aponta estudo

há 9 minutos
3 min de leitura

Peso tende a voltar após a interrupção dos medicamentos, enquanto benefícios metabólicos também podem diminuir

Canetas ajudam a emagrecer, mas hábitos sustentam os resultados. Fotos: Pexels
Canetas ajudam a emagrecer, mas hábitos sustentam os resultados. Fotos: Pexels

Medicamentos usados no tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida, podem proporcionar uma redução significativa do peso, mas os resultados tendem a ser comprometidos quando o tratamento é interrompido sem mudanças duradouras no estilo de vida. Uma revisão de estudos publicada no BMJ reforça que alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico são fundamentais para a manutenção do peso no longo prazo.


A análise reuniu 37 estudos envolvendo mais de 9,3 mil adultos com sobrepeso ou obesidade. Os pesquisadores observaram que, após a suspensão dos medicamentos, os participantes recuperaram, em média, cerca de 0,4 kg por mês.


Durante o período de tratamento, a perda média foi de 8,3 kg, mais que o dobro da registrada nos grupos de controle. Depois da interrupção, porém, houve recuperação gradual do peso. Mantido o ritmo observado pelos pesquisadores, os participantes poderiam retornar ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses.


Por que o peso pode voltar?


A explicação está relacionada, entre outros fatores, ao caráter crônico da obesidade. O organismo possui mecanismos biológicos que atuam para recuperar parte do peso perdido.

“Quando o tratamento é interrompido, a doença volta a se manifestar. O reganho de peso não significa falta de força de vontade ou pouco empenho do paciente. Na verdade, é uma resposta biológica do organismo, que tenta recuperar o peso perdido”, explica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita.


Semaglutida e tirzepatida atuam sobre mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade, reduzindo o apetite e contribuindo para a perda de peso. Com a suspensão da medicação, esses efeitos diminuem e o organismo pode voltar a favorecer o ganho de peso.

O problema é maior quando o uso do medicamento não é acompanhado de mudanças na alimentação e na rotina.


“Muitas pessoas apenas usam o remédio, comem menos porque o apetite diminuiu e emagrecem. Mas, se elas não mudam o padrão alimentar, não praticam atividade física regularmente e não fazem uma mudança comportamental, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso”, afirma Rosenbaum.


Benefícios à saúde também podem diminuir


O estudo mostrou ainda que não é apenas o peso que pode ser afetado. Melhoras observadas durante o tratamento em indicadores como glicemia, colesterol e pressão arterial também começaram a diminuir após a interrupção das medicações.


Por isso, os medicamentos não devem ser tratados como uma solução isolada para emagrecer.


“As mudanças no estilo de vida potencializam a perda de peso e aumentam as chances de manter os resultados no longo prazo”, afirma o endocrinologista. “Os medicamentos são uma ferramenta muito eficaz no tratamento da obesidade, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla. Sozinhos, eles não conseguem sustentar a perda de peso por muito tempo.”


Alimentação, exercício, sono e controle do estresse


A manutenção do peso envolve diferentes fatores. Uma alimentação adequada, com proteínas e fibras, pode favorecer a saciedade e ajudar a reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados.


A atividade física regular também tem papel importante, especialmente para preservar a massa muscular, aumentar o gasto energético e contribuir para a saúde cardiovascular.

Sono adequado e controle do estresse completam essa estratégia. Dormir mal pode interferir nos mecanismos relacionados à fome e à saciedade, enquanto situações prolongadas de estresse podem favorecer episódios de alimentação emocional.


Nem todas as pessoas recuperam integralmente o peso perdido depois de interromper os medicamentos, e ainda não é possível prever com precisão quem conseguirá manter os resultados.


Segundo Rosenbaum, a tendência de reganho pode ser menor entre pessoas que apresentavam obesidade menos grave, tiveram perda de peso mais moderada e conseguiram incorporar hábitos saudáveis à rotina.


“O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas tratar uma doença crônica. As canetas para emagrecer fazem parte desse tratamento, mas o sucesso depende de uma estratégia de longo prazo, construída entre paciente, médico e equipe multiprofissional”, conclui.


Com informações da Agência Einstein


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