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Globo sendo Globo: jornalismo seletivo ajuda Tarcísio


Não é de hoje que o Grupo Globo, com a TV Globo na linha de frente, se notabiliza por praticar um jornalismo de edição seletiva travestido de isenção. Ao longo da história brasileira, a emissora sempre esteve do lado dos poderosos, atuando de forma decisiva para influenciar o rumo político do país — seja em eleições, seja em momentos-chave de inflexão institucional — quase sempre contra os interesses populares e a favor da burguesia brasileira.


Os exemplos são numerosos e históricos. Os mais antigos lembram bem: o apoio explícito da Globo ao golpe militar de 1964 e à ditadura que se seguiu. Décadas depois, já em plena democracia, veio uma mea culpa constrangida, tardia e insuficiente, reconhecendo o “erro”. Mas reconhecer não significou mudar.


Em 1989, na primeira eleição presidencial pós-ditadura, quando o cenário indicava a possibilidade real de vitória da esquerda com Lula ou Brizola, a Globo entrou em campo com força total. Inventou Fernando Collor, o “Caçador de Marajás”, inflando sua imagem por meio de reportagens elogiosas e programas nacionais. No segundo turno, a história é conhecida: uma edição criminosa do último debate, exibida no Jornal Nacional, distorceu falas e favoreceu Collor de forma escancarada, ajudando a definir o resultado da eleição.


Mesmo após o impeachment do próprio candidato por corrupção, o método seguiu o mesmo. Nas eleições seguintes, a Globo continuou favorecendo seus preferidos, omitindo fatos, distorcendo informações e atuando sistematicamente contra candidaturas de esquerda — em especial, contra o PT. Foi peça central na construção do antipetismo, apoiou o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, naturalizou a prisão injusta de Lula e contribuiu decisivamente para a ascensão do bolsonarismo, ajudando a eleger Jair Bolsonaro para barrar Fernando Haddad em 2018.


No campo econômico e social, a coerência também se manteve: apoio irrestrito às chamadas “reformas” — da Previdência e Trabalhista — que, na prática, significaram ataques profundos aos direitos dos trabalhadores. Nos programas da emissora, só havia espaço para “especialistas” alinhados ao mercado. O contraditório simplesmente não existia.

Pois bem. Globo sendo Globo.


Nesta semana, mais um capítulo dessa história se repetiu. Na cobertura do Jornal Nacional sobre a prisão do cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a Globo deliberadamente omitiu uma informação central: o investigado, além de pastor conservador e figura ligada à extrema direita, foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022.


Pode parecer um detalhe. Mas não é. Trata-se de um “esquecimento” altamente seletivo — e previsível para quem conhece o modus operandi do grupo Globo e seus interesses políticos. A emissora, mais uma vez, tem um projeto. E, hoje, a aposta da vez para enfrentar Lula e o PT se chama Tarcísio de Freitas.


O mesmo governador que viajou de férias enquanto o povo paulista sofria com a falta de água, consequência direta da privatização da Sabesp, feita e celebrada em seu governo. Se fosse um governador de esquerda, a Globo teria feito plantões diários, editoriais indignados e reportagens investigativas. Como é “o candidato”, as matérias foram protocolares, frias, quase burocráticas. O mesmo padrão se repetiu quando a Polícia Federal chegou aos financiadores do PCC na Faria Lima — amigos, apoiadores e financiadores do atual governador paulista.


E a estratégia não se limita à TV Globo. No mesmo dia da operação da Polícia Federal (PF), foi divulgada uma pesquisa eleitoral para 2026: Lula lidera e venceria todos os adversários no primeiro e no segundo turno. Ainda assim, a manchete do Zero Hora, do Grupo RBS (braço da Globo no RS), foi reveladora:


“Pesquisa mostra que Tarcísio é o mais competitivo da direita”.


Ou seja: o fato central — a liderança folgada de Lula — vira detalhe. O destaque vai para a construção narrativa do “candidato viável”. Os analistas do grupo deixam claro o desconforto com a família Bolsonaro, avaliam que Flávio “Rachadinha” tem rejeição elevada e apostam em Tarcísio como nome mais “palatável” para tentar impedir uma quarta vitória de Lula.


Nada disso é casual. Quem controla a narrativa, tenta controlar o debate público.


Mas há um problema para eles: o povo brasileiro já conhece esse roteiro. Mesmo enfrentando uma das maiores estruturas midiáticas do mundo, Lula foi eleito três vezes, Dilma duas, e derrotou o bolsonarismo em 2022. A experiência histórica ensinou o povo a desconfiar do jornalismo “neutro” que sempre escolhe um lado.


A Globo pode seguir sendo Globo. Mas o Brasil real já não é mais o mesmo.

E, mais uma vez, será o povo — não a edição do Jornal Nacional — que decidirá o futuro do país.


Viva o povo brasileiro. Viva a democracia. E viva Lula.


Fonte: Brasil de Fato


*Everton Gimenis é vice-presidente da CUT/RS


**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do RTN e nem do Brasil de Fato

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