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BC decreta liquidação extrajudicial da Reag no caso Master

Decisão ocorre após nova fase de investigação da Polícia Federal

O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, atual denominação da Reag Investimentos. A decisão foi assinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, um dia após a deflagração de nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.


A medida encerra de forma imediata as atividades da instituição no sistema financeiro nacional.


O que motivou a liquidação


Segundo o Banco Central, a liquidação foi decretada em razão de graves violações às normas que regem as instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A autarquia informou que continuará adotando medidas para apurar responsabilidades administrativas e comunicar os fatos às autoridades competentes.


Com a decisão, ficam indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da instituição, conforme prevê a legislação.


Impacto para fundos e investidores


A liquidação atinge a instituição administradora, não os fundos de investimento. Os fundos permanecem ativos, mas deverão buscar outros administradores para dar continuidade às operações.


A Reag administrava mais de 80 fundos e também atuava nas áreas de gestão de ativos e patrimônio. De acordo com o BC, a instituição se enquadrava no segmento S4, com participação inferior a 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro, o que indica baixo impacto sistêmico.


Ligação com o caso Banco Master


A Reag é investigada no âmbito do caso envolvendo o Banco Master, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras. As investigações indicam que fundos administrados pela instituição teriam sido utilizados em operações consideradas atípicas, com indícios de inflar resultados e ocultar riscos.


Um relatório do Banco Central encaminhado ao Tribunal de Contas da União apontou suspeitas em transações que somariam R$ 11,5 bilhões. O caso também foi comunicado ao Ministério Público Federal.


Operações da Polícia Federal


Na segunda fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados, incluindo o fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, e pessoas relacionadas ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.


As investigações também apuram possíveis conexões com esquemas de lavagem de dinheiro já investigados em outras operações, como a Carbono Oculto.


Nomeação de liquidante


No ato que determinou a liquidação, o Banco Central nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo como liquidante, tendo Antonio Pereira de Souza como responsável técnico.


O liquidante poderá, caso autorizado pela autoridade monetária, requerer a falência da instituição pela via judicial.


Foto: Arquivo/Agência Brasil

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