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Racismo ambiental e a tragédia no Rio Grande do Sul: o papel de Rafa Rafuagi na luta contra as desigualdades


Rafa Rafuagi denuncia racismo ambiental no contexto da tragédia no RS. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em menos de seis meses de funcionamento, o Museu da Cultura Hip Hop de Porto Alegre, o primeiro do gênero na América Latina, transformou-se em uma importante referência para a coleta e distribuição de doações às vítimas das enchentes na região metropolitana da capital gaúcha. Coordenando as ações de ajuda está Rafa Rafuagi, renomado rapper, ativista e MC, que se tornou uma voz poderosa na denúncia do racismo ambiental exacerbado pela recente catástrofe no estado.


A tragédia e a resposta comunitária


Em setembro de 2023, Porto Alegre e seus arredores foram devastados por uma enchente histórica que deixou milhares de pessoas desabrigadas e destruiu inúmeras residências. Rafa Rafuagi, junto com sua equipe, coordenou a logística de envio de mais de 200 toneladas de itens essenciais, como roupas, cobertores, alimentos e água, para as áreas mais afetadas. "Estamos na fase da retomada dos lares", diz Rafuagi, enquanto supervisionava a saída de mais um caminhão de doações.

Rafuagi, que também sofreu com as enchentes, descreve a experiência de ver a água subir como uma cena do filme "Titanic", com moradores desesperados tentando salvar o que podiam. "Foi tudo perdido", relembra.


Desigualdade e racismo ambiental


A tragédia não apenas expôs a vulnerabilidade das comunidades pobres, mas também evidenciou um padrão de racismo ambiental. Estudos do Observatório das Metrópoles mostram que as áreas mais alagadas foram as mais pobres e com maior concentração de população negra. Em bairros como Humaitá, Sarandi e Rubem Berta, em Porto Alegre, e Mathias Velho, em Canoas, a população preta e parda sofreu um impacto desproporcionalmente maior.


"Existe uma questão de racismo ambiental na cidade", afirma Rafuagi, destacando a falta de espaços verdes e áreas de lazer nas periferias, que agrava as consequências de desastres naturais. Ele também critica a negligência nos alertas de evacuação e na manutenção dos sistemas de prevenção de enchentes nas áreas mais pobres.


Hip Hop e ativismo


Rafa Rafuagi, além de seu trabalho humanitário, é uma figura central na cultura hip hop no Rio Grande do Sul. Ele fundou a Casa de Cultura Hip Hop em Esteio, que mais tarde evoluiu para o Museu da Cultura Hip Hop. O museu, inaugurado em 2023, tornou-se um espaço vital para a promoção da cultura periférica e da história afro-gaúcha.


Rafuagi destaca a importância de visibilizar a contribuição negra na construção do estado e na resposta emergencial à catástrofe. "A enchente revelou uma das faces que escancara tudo isso. Não estou dizendo que são majoritariamente pessoas negras, mas todo mundo perdeu igual, infelizmente", diz ele, reforçando a necessidade de reconhecer a presença e o sofrimento da população afro-brasileira no Rio Grande do Sul.


Futuro e afroturismo


Com a retomada da programação normal do museu, Rafuagi planeja lançar um roteiro turístico de cultura negra em Porto Alegre, em parceria com a Embratur. Este projeto de afroturismo busca conectar pontos de memória e ação prática do movimento negro em todo o Brasil, oferecendo uma alternativa aos tradicionais destinos turísticos brancos e europeus, como Gramado.


"Queremos que as pessoas visitem o Museu do Hip Hop, o galpão cultural no Morro da Cruz, a casa do Hip Hop em Esteio, e o pavilhão eco sustentável na Restinga", propõe Rafuagi, reforçando o papel crucial da cultura e da história afro-brasileira na identidade do estado.


Com informações da Agência Brasil


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