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Mapa da Desigualdade: metade da população fluminense vive com menos de um salário mínimo


A nova edição do Mapa da Desigualdade apresenta 40 indicadores que retratam diversos aspectos da condição de vida nos 22 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A pesquisa mostra que cerca de 50% da população nessa região vive com menos de um salário mínimo, ou seja, tem renda inferior a R$ 1.320 por mês.


O lançamento do documento aconteceu na última semana durante o 1º Seminário de Geração Cidadã de Dados, realizado na favela da Maré, zona norte do Rio, com a presença de organizações e coletivos da sociedade civil.


Segundo a Casa Fluminense, os cortes e atrasos no Censo Demográfico, e desmonte de órgãos de pesquisa públicos, dificultaram a coleta de dados. Por isso, a organização que há 10 anos debate políticas públicas para a redução das desigualdades no Rio analisou 23 bases de dados governamentais e empresariais, além de pedidos de acesso via Lei de Acesso à Informação (LAI) para a produção do Mapa.


A publicação é dividida por quatro justiças: racial, de gênero, econômica e climática. Esses temas atravessam todas as pautas da política pública como educação, saúde, segurança, entre outros.


Também são apresentados mapas sobre o peso da tarifa no bolso dos trabalhadores, violência de gênero, endividamento, sobrecarga nos Centro de Referência de Assistência Social (Cras), custo de obras públicas paralisadas e uma série de outros temas.


Confira alguns indicadores:


Segurança pública

No ano passado, foram registrados 3.584 tiroteios e 51 chacinas na região metropolitana. Do total, 41 delas em decorrência a operações policiais. A capital foi recordista nos dois tipos de ocorrência. Sob o governo de Claudio Castro (PL) aconteceram 3 das 5 chacinas mais letais da história do estado.


Das 1.169 mortes por intervenção de agente do Estado, em 919 as vítimas eram negras. Em 14 municípios, mais de 80% das pessoas assassinadas em ações do Estado eram negras, chegando à totalidade em cinco municípios. Entre os anos de 2019 e 2022, esse cenário se agravou em 10 municípios.


Saneamento

Doze municípios da região metropolitana do Rio têm coleta e tratamento de esgoto abaixo de 5%. Em comparação com o último Mapa da Desigualdade, o número de municípios sem coleta e tratamento de esgoto subiu de oito para nove. Somente Niterói atingiu 100% de sua população com tratamento de esgoto.


Saúde

Dos 22 municípios da Região Metropolitana, sete cobrem menos de 50% da população no serviço de Atenção Básica do SUS. Uma em cada quatro gestantes não realiza o número mínimo de consultas pré-natal.


Os piores índices são de Japeri e Tanguá, onde o percentual mais do que duplicou entre os anos de 2018 e 2022. O Ministério da Saúde recomenda que sejam feitas ao menos seis consultas ao longo de toda a gestação, devido à sua importância para as saúdes materna e fetal.


Educação

Em oito municípios a taxa de abandono escolar no ensino médio supera a média estadual (6,3%) e do Brasil (6,5%). Já em 20 municípios há pelo menos uma escola pública sem água, energia, esgoto ou alimentação. Em Nilópolis, cerca de 14% das escolas públicas não têm pelo menos um desses serviços básicos.


Transporte

Os municípios de Maricá, Paracambi e Tanguá oferecem linhas de ônibus municipais a custo zero. Por outro lado, em três anos, 12 municípios aumentaram suas tarifas. O maior foi registrado em Guapimirim, com aumento de R$ 1,20 na tarifa.


Disparidade salarial

As mulheres ganham menos do que os homens em 16 municípios. Um homem branco recebe, em média, R$ 2.713 a mais de remuneração no emprego formal na Região Metropolitana do Rio. Na capital essa diferença é ainda maior, chegando a R$ 3.449.


Brancos ganham mais que negros em 21 municípios. A diferença de remuneração salarial média é maior nos municípios de Japeri e Rio de Janeiro, onde brancos ganham R$ 1 mil e R$ 2 mil a mais, respectivamente.


Endividamento

Mais da metade da população do estado do Rio está inadimplente. Em junho de 2023, o estado ocupou o primeiro lugar do ranking brasileiro, com 53% dos fluminenses sem conseguir pagar suas dívidas. Mais de 5 milhões de pessoas se encontram nesta situação.


Pobreza

Na região metropolitana são 2,2 milhões de mulheres em pobreza ou extrema pobreza. Dessas, cerca de 1,6 milhão é negra. Em 14 municípios o percentual de mulheres negras nessas condições é superior a 70%.

As situações mais agudas de pobreza estão entre a população negra e as mães chefes de família, logo as mulheres negras são as mais atingidas. São elas também a maioria no trabalho doméstico e informal.


Assistência social

Existem mais de 17 mil pessoas em situação de rua cadastradas no CadÚnico. Dessas, cerca de 13,5 mil são negras. Em 17 municípios da metrópole, a cada quatro pessoas em situação de rua, três são negras.


A sobrecarga do CRAS em toda a Região Metropolitana dobrou em comparação com o Mapa da Desigualdade de 2020. Em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Rio de Janeiro o número de famílias cadastradas é quatro vezes superior à capacidade estabelecida.


Moradia precária

A população negra representa a maioria da população em domicílios improvisados em todos os municípios Região Metropolitana. São, pelo menos, 239 mil pessoas vivendo nessa condição. Dessas, 172 mil são negras.

Justiça climática


Mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas por eventos climáticos devido às fortes chuvas nos anos de 2021 e 2022 no estado. A Região Metropolitana concentrou 81% desses casos. Cerca de 48 mil casas foram danificadas ou destruídas por conta desses eventos.


Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Petrópolis, na Região Serrana, concentraram o maior número de pessoas atingidas.


Fonte: Brasil de Fato

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