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Crise Energética Abala São Paulo: Conflito Interno na Enel Ameaça Milhares de Cidadãos


A cidade de São Paulo e sua região metropolitana enfrentam um dramático cenário de escassez de energia elétrica, com estimativas indicando que aproximadamente 500 mil imóveis, entre residências, estabelecimentos comerciais e serviços essenciais, como unidades de pronto-atendimento, clínicas, hospitais e escolas, estão no escuro. A crise se desencadeou após um severo temporal que assolou a região na última sexta-feira (3), resultando em alimentos estragados, aparelhos danificados e equipamentos médicos fundamentais deixando de funcionar. A responsabilidade pela operação dos serviços de energia elétrica na cidade de São Paulo e parte da Região Metropolitana de São Paulo é da Enel Distribuição São Paulo.

A Enel é uma empresa de economia mista com participação majoritária do governo italiano, detendo 23,6% de suas ações. Em 2018, adquiriu as operações da estatal Eletropaulo no Brasil. A companhia também opera no Ceará e em diversos municípios do Rio de Janeiro.

Conflito Interno na Enel: Disputa pelo Controle da Empresa Este ano, os bastidores da Enel se tornaram palco de uma inesperada e intensa batalha, protagonizada por um acionista, detentor de cerca de 1% das ações da empresa: o fundo Covalis Capital. Este acionista desencadeou um confronto direto com o governo italiano, levando sua contestação tanto para as reuniões internas quanto para as manchetes dos maiores jornais do país. O objetivo do fundo era claro: tomar o controle da presidência da empresa ou, ao menos, assegurar representação no Conselho de Administração.

O que Está em Jogo De um lado, está o governo italiano, com destaque para Giancarlo Giorgetti, ministro da Economia, cuja pasta detém os 23,6% das ações da Enel. Giorgetti é uma figura proeminente da política italiana, membro da Lega Nord, um partido ultradireitista e liberal do país. Sua abordagem para a Enel, e por extensão, para as demais 33 empresas estatais sob seu ministério, é inequívoca: reduzir despesas a qualquer custo.

O plano de cortes visa transferir todo o capital disponível da Enel e de outras empresas estatais para a Itália, uma medida crucial para reduzir o déficit fiscal italiano, que é estimado em 5,3% para este ano. A dívida pública italiana atingiu 144,4% do PIB no ano passado.

Fundo Covalis Capital: Uma Força Discreta, mas Poderosa O Covalis Capital não figura entre os maiores fundos do mundo, com um portfólio estimado em cerca de 500 milhões de dólares, um valor significativamente inferior se comparado aos gigantes do mercado. Durante a pandemia, o fundo obteve lucros ao adquirir ativos desvalorizados devido às restrições de circulação, concentrando-se particularmente em empresas do setor de energia, com destaque para a Li-cycle Holdings Corp, localizada no Canadá, que se dedica à reciclagem de baterias de íons de lítio.

Os Objetivos do Covalis O Covalis Capital pressiona a Enel para realizar desinvestimentos em áreas específicas e investir em fontes de energia renovável, transferindo recursos de países como o Chile e o Brasil para concentrá-los em seu setor de interesse imediato. A Enel já tem investido nesse segmento, com uma subdivisão denominada Enel X, que oferece soluções renováveis, incluindo o uso de baterias. No entanto, o Covalis exige um ritmo acelerado na expansão do uso de baterias, uma vez que esses dispositivos serão posteriormente reciclados por empresas como a Li-cycle Holdings Corp.

Impacto em São Paulo A demissão de 36% dos funcionários da Enel no Brasil desde 2019, após a aquisição das operações da Eletropaulo, contribuiu para a melhoria dos balanços financeiros da Enel na Itália. Além disso, a Enel ganhou notoriedade por adiar investimentos na manutenção de sua infraestrutura elétrica, poupando assim mais recursos. Essa abordagem foi bem recebida pelo governo italiano, o maior acionista da empresa, e pelo fundo Covalis, embora por razões distintas. No entanto, ambos compartilham a mesma abordagem centrada na redução de custos no Brasil.

Como resultado desse conflito interno, os cidadãos de São Paulo enfrentam diretamente os impactos dessa crise de energia, manifestando-se na forma de blecautes e interrupções de fornecimento de energia.

Direitos dos Cidadãos Afetados Os prejudicados pela falta de eletricidade em São Paulo devido ao apagão que ocorreu na última sexta-feira devem saber que é possível buscar indenização pelos danos sofridos.

As chuvas intensas que atingiram o estado deixaram mais de 1,2 milhão de pessoas sem energia elétrica. Após a normalização do fornecimento, muitos moradores se depararam com equipamentos elétricos e eletrônicos danificados, alimentos estragados e perda de medicamentos, situações que justificam a obtenção de indenização.

Os consumidores afetados podem registrar uma reclamação por meio do aplicativo da Enel SP, da Agência Virtual ou da Central de Atendimento da empresa. Com a comprovação dos danos causados pelo apagão, os clientes têm direito a reembolso em dinheiro, reparo ou substituição dos equipamentos.

Passos para Obter Indenização Caso tenha perdido equipamentos ou sofrido avarias nos alimentos armazenados na geladeira e no freezer, é hora de contatar a empresa responsável.

Se precisar realizar reparo em um equipamento antes de aguardar a assistência da empresa, é importante obter dois orçamentos detalhados, um laudo emitido por um profissional e a nota fiscal referente ao conserto.

No caso de alimentos e medicamentos prejudicados devido à falta de energia, documente tudo minuciosamente, registrando fotos dos produtos, embalagens e mantendo as notas fiscais, a fim de simplificar o processo de reembolso.

Quando você solicita a empresa, ela tem um prazo de 10 dias corridos para inspecionar e avaliar o aparelho afetado. No caso de equipamentos usados para armazenar alimentos perecíveis ou medicamentos, o prazo de inspeção é reduzido para um dia útil.

Uma vez que os danos causados pelo apagão tenham sido comprovados, é necessário aguardar o processo de reembolso. Esse processo pode envolver compensação financeira, reparo do item danificado ou substituição completa do equipamento afetado. O procedimento de reembolso deve ser concluído dentro de 20 dias corridos a partir da data de resposta da distribuidora.

Caso o pedido seja recusado, a empresa deve apresentar os motivos da recusa. Nesse cenário, o cliente tem o direito de recorrer à agência reguladora estadual ou à própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Prazo Estipulado pelo Prefeito de São Paulo O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, destacou que entrará com ação judicial caso a Enel não restabeleça o fornecimento de energia para 100% da população da cidade até o final de hoje, terça-feira (7), conforme prometido pela concessionária.

Na segunda-feira, 6 de novembro, após uma reunião com o governador Tarcísio de Freitas, ambos os políticos reforçaram a urgência do restabelecimento total da energia em São Paulo, bem como a necessidade de agilidade no processo de ressarcimento dos clientes prejudicados pelo longo período sem eletricidade.

Enquanto as batalhas se desenrolam nos bastidores, os cidadãos de São Paulo sofrem os impactos diretos enfrentando os prejuízos causados pela falta de energia.

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